Homero Santiago
Nada como uma boa risada
- . 19 de junho de 2023
Tudo pode ser objeto de riso ou convém guardar limites?
A questão deve nascido junto com a primeira piada, e sempre retorna. No Natal de 2019 um grupo fez uma encenação bem-humorada da última ceia de Cristo (apresentada na Netflix) e foi um escarcéu.
O fascista que existe dentro de cada um de nós
- . 18 de maio de 2023
Recentemente segui uma palestra de Cesare Pietroiusti, um artista romano de quem nunca ouvira falar. Entre tantas coisas interessantes, uma me surpreendeu particularmente e gostaria de compartilhá-la, pois dialoga com certos aspectos salientes de nossa presente vida sociopolítica e cultural.
Uma vez Fla, sempre Flu – e vice-versa
- . 24 de abril de 2023
Os hinos (tanto faz se nacional, militar, religioso, esportivo) geralmente servem a reconhecer e exaltar as glórias de algo (uma pátria, um deus, um time). O objeto é retratado de forma magnânima, situado acima de tudo e de todos: a minha pátria, o meu deus, o meu time são o máximo; o resto é só o resto, e talvez daí venha a razão de os hinos quase sempre silenciarem a alteridade (outras pátrias, outros deuses, outros times).
Crime e pecado
- . 20 de março de 2023
O papa Francisco não é um conservador casca-grossa nem um revolucionário diletante. Gosto de concebê-lo como uma sorte de “visionário”, no bom sentido da palavra. Sem querer deixar tudo como está, tampouco vai chutar o pau da barraca católica;
Pintar garrafas
- . 23 de fevereiro de 2023
Um dos aspectos mais intrigantes de nossa percepção visual é fundar-se sobre algo absolutamente invisível: o espaço. Nossa visão se restringe a objetos espaciais e sabemos o que é a espacialidade em que as coisas repousam e se deslocam; jamais percebemos, todavia, o próprio espaço em que isso acontece.
E se tudo for sonho?
- . 24 de janeiro de 2023
Há acontecimentos que nos parecem de tal maneira inacreditáveis e surreais, como se ultrapassando o senso de realidade, que para exprimi-los justamente costumamos recorrer ao aspecto de nossa experiência que, embora bem real, flerta com a irrealidade: a atividade onírica.
O pensamento e as cidades
- . 5 de janeiro de 2023
Tem gente que gosta de silêncio, tem quem busca o agito; uns apreciam a tranquilidade do interior profundo, outros necessitam do estímulo das capitais. O meio exerce uma influência importante sobre o nosso humor, nossos afetos e expectativas.
O tempo
- . 21 de novembro de 2022
“Estou sem tempo.” “Tenho tempo de sobra.” Nada mais banal que essas frases ditas e ouvidas a todo momento. Ainda assim, quem consegue definir isso que lhe falta ou lhe sobra? Possivelmente, ninguém. É sobre tal situação esdrúxula — sermos incapazes de exprimir o o-que-é de algo que corriqueiramente acreditamos conhecer e de que falamos sem parar — que Santo Agostinho (354-430) nos convida a refletir.
Igualdade com diferença, e vice-versa
- . 17 de outubro de 2022
No curso da história humana, as religiões desempenharam um papel importante, maior ou menor conforme a época. Em nossos dias, é reconhecível um influxo particularmente forte da fé na vida social. Nisso, convém esclarecer, nenhum problema. Que as pessoas se preocupem hoje mais com as coisas divinas do que ontem não é escandaloso, assim como é normal o clima ter se tornado uma questão mais candente (nos dois sentidos da palavra) do que três décadas atrás.
A vida em comum
- . 15 de setembro de 2022
Haverá o que comemorar no bicentenário da independência do Brasil? Francamente, muito pouco; a menos que tenhamos em mente o significado literal da palavra “comemoração”: em vez de ocasional festejo, rememorar em conjunto. Por ser capaz de despertar a reflexão, esse exercício é uma forma de escapar aos extremos, tanto o ufanismo patriota quanto o menosprezo inconsequente.