Filosofia

Aposta na vida

Peço licença aos leitores para continuar a conversa iniciada no texto do mês passado, dedicado à morte da cantora Marília Mendonça. Do fato e sobretudo do gritante contraste entre a vida pujante da jovem e seu fim tragicamente repentino, sugeri colhermos dois ensinamentos sobre o viver humano em geral.

Filosofia

Memento mori

A única certeza da vida é a morte. O dito em latim que dá título a este texto (“lembre-se da morte”) tinha justamente a intenção de evitar o esquecimento dessa verdade cruel que um dia se demonstrará a cada um de nós, sem distinção de classe, cor, gênero. Não por acaso, os seres humanos costumam demonstrar um respeito imenso para com a morte e os que a padecem, como que reconhecendo ali o próprio destino: o senso de humanidade nos manda prestar respeito até mesmo ao corpo de um inimigo.

Filosofia

O dia em que o zap parou

Numa canção, o saudoso Raul Seixas contou um sonho maluco: certo dia ninguém saiu de casa para trabalhar nem para ir à escola, os ladrões não foram roubar, os soldados não combateram, e por aí vai. Foi “o dia em que a terra parou”, cantava o refrão.

Filosofia

O famigerado artigo 142

Uma das histórias mais saborosas de Guimarães Rosa intitula-se Famigerado. Um cabra temido é assim alcunhado e quer tomar satisfação, só que não sabe o significado da palavra. A engenhosidade da breve narrativa está em alcançar a mais alta tensão, entre o dramático e o cômico, jogando com a ambivalência da palavra “famigerado”, que designa a pessoa famosa e insigne tanto quanto aquela que tem má reputação e não presta.

Filosofia Outros

Os olhos amorosos

Quem vê cara não vê coração. O descompasso entre o ser verdadeiro de uma pessoa e a sua aparência enganosa atravessa a nossa cultura cristã, revelando-se com nitidez na compreensão da experiência amorosa que crava a distância entre o amor sincero e altivo, que pouco dependeria do aspecto físico, e o ímpeto desejoso excitado pelos sentidos; nobre sentimento x instinto quase animal.

Filosofia

Obedecer ou não?

Em tempos de CPI, muita polêmica corre por causa da declaração de Eduardo Pazuello em que, ainda ministro da Saúde e ao lado do presidente da República, justificava assim seus atos: “É simples assim: um manda e o outro obedece”. Não vamos discutir o mérito da questão no varejo (fez isso ou não fez aquilo). Tomemos a tirada do general na medida em que exprime uma conjugação de dever de obediência e senso de hierarquia que torna “normal” e até meritória a correlação entre a ordem recebida e a sua execução — “ordem dada, ordem cumprida”, alguém da caserna diz. É essa simplicidade que não é “simples assim”.

Filosofia

A verdade em falso

De tempos para cá, as fake news tornaram-se uma das questões mais controversas de nossa época. Tanto que, segundo alguns, vivemos na “era da pós-verdade”, ou seja, o momento em que se esvaneceram os critérios tradicionais que usávamos para distinguir verdade e falsidade, realidade e mentira ou ilusão.