Artigos

Distopia metropolitana

Em uma incerta madrugada de sonhos semeados ao longe, levantei de súbito, assustado com os ventos premonitórios, e calcei as pantufas macias ao lado da cama. Ao primeiro toque da pele contra a superfície, tive a certeza de que as pantufas, reconhecidas há meses de uso, não eram minhas.

Filosofia

O ano da má fortuna em dobro

Um pensador deveras injustiçado pela fama é o florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527). Até hoje seu nome está associado a uma imagem sinistra. “Maquiavélico” é quem trama e engana, um calculista despido de valores; a personificação do capeta. Contudo, essa representação não é justa. É verdade que, contra o senso comum, Maquiavel não concebe como tragédia um político ocasionalmente desrespeitar critérios provenientes de fora do próprio campo da política. A completa sinceridade, por exemplo, pode ter grande valor na vida privada; na vida pública, nem sempre. Não está aí, porém, a marca principal do líder político maquiaveliano (o que pouco tem a ver com “maquiavélico”).

Artigos

Lutos que trouxeram vida

Onde começamos nós e termina a influência de tantos, já dizia Lya Luft, escritora e tradutora brasileira, e neste enredo proclamo que sou muitas, eis que fruto de infindáveis eventos e relacionamentos. Vale ponderar, em complemento, que a chegada ao mundo, em teoria, se fez nua de vestes e crenças, e à medida que fui inserida em uma grande teia de símbolos, observei padrões sendo construídos e eles permitiram um caminhar rumo a uma vida que denomino metamórfica.

Filosofia

Aposta na vida

Peço licença aos leitores para continuar a conversa iniciada no texto do mês passado, dedicado à morte da cantora Marília Mendonça. Do fato e sobretudo do gritante contraste entre a vida pujante da jovem e seu fim tragicamente repentino, sugeri colhermos dois ensinamentos sobre o viver humano em geral.

Filosofia

Estudar é para os fortes

O estudo é a expressão da vontade. Estudar é para os fortes, para quem possui coragem, resistência e respeito à humanidade. Precisa-se de força de vontade para controlar o corpo e direcioná-lo para uma atividade difícil, pouco atraente e, muitas vezes, desconfortável.
O bom professor se esforça não só para estudar e se especializar, mas também para trabalhar. Com condições adversas no âmbito profissional, salários insuficientes e caos institucional, os problemas que enfrentam exigem determinação, vontade dupla para fazer do seu trabalho uma contribuição séria e significativa.

Empresas

Boas práticas em reuniões virtuais

Com a pandemia dando sinais de passagem e a vida social sendo retomada, as corporações têm se permitido resgatar práticas anteriormente comuns, mas que repentinamente se tornaram arriscadas, tais como idas diárias aos escritórios, viagens de negócios, reuniões presenciais e confraternizações no final do expediente.

Filosofia

Memento mori

A única certeza da vida é a morte. O dito em latim que dá título a este texto (“lembre-se da morte”) tinha justamente a intenção de evitar o esquecimento dessa verdade cruel que um dia se demonstrará a cada um de nós, sem distinção de classe, cor, gênero. Não por acaso, os seres humanos costumam demonstrar um respeito imenso para com a morte e os que a padecem, como que reconhecendo ali o próprio destino: o senso de humanidade nos manda prestar respeito até mesmo ao corpo de um inimigo.

Artigos

O engenho literário

Para entender a importância da literatura em nossa vida, é necessário, em primeiro lugar, tentar definir o que vem a ser literatura e qual o poder dela sob nós — assunto que, talvez, pela pouquíssima frequência com que se é discutido em todas as camadas sociais, parece concernente somente aos eruditos, estudiosos e intelectuais.

Filosofia

O dia em que o zap parou

Numa canção, o saudoso Raul Seixas contou um sonho maluco: certo dia ninguém saiu de casa para trabalhar nem para ir à escola, os ladrões não foram roubar, os soldados não combateram, e por aí vai. Foi “o dia em que a terra parou”, cantava o refrão.

Empresas

Quanto vale?

O filme Quanto vale?, disponível na Netflix (Worth, 2021) aborda em sua trama a criação do Fundo de Compensação às vítimas dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e seu difícil trabalho de calcular o valor das indenizações a serem pagas pelo governo aos familiares. Baseado em uma história real, este fundo existe naquele país desde então, sendo responsável pelas indenizações aos cidadãos norte-americanos vítimas de outras tragédias nacionais.