Filosofia
E se tudo for sonho?
- . 24 de janeiro de 2023
Há acontecimentos que nos parecem de tal maneira inacreditáveis e surreais, como se ultrapassando o senso de realidade, que para exprimi-los justamente costumamos recorrer ao aspecto de nossa experiência que, embora bem real, flerta com a irrealidade: a atividade onírica.
O pensamento e as cidades
- . 5 de janeiro de 2023
Tem gente que gosta de silêncio, tem quem busca o agito; uns apreciam a tranquilidade do interior profundo, outros necessitam do estímulo das capitais. O meio exerce uma influência importante sobre o nosso humor, nossos afetos e expectativas.
Um Natal repleto de amor
- . 23 de dezembro de 2022
Existimos através do amor, e sem ele nada somos. Nascemos pelo amor de uma mãe e pelo seu desejo somo constituídos. Ser humano é ser amado e amar, simultaneamente.
A razão é o enfrentamento do desejo
- . 8 de dezembro de 2022
A razão é o enfrentamento do desejo. Egoístas que somos, desejamos sem medida e com coragem. Para atingir os objetivos — e os objetos — de nosso desejo, nos permitimos tudo. Ao encontrarmo-nos com um poder sem limites, perdemos as rédeas e ultrapassamos todas as velocidades.
O tempo
- . 21 de novembro de 2022
“Estou sem tempo.” “Tenho tempo de sobra.” Nada mais banal que essas frases ditas e ouvidas a todo momento. Ainda assim, quem consegue definir isso que lhe falta ou lhe sobra? Possivelmente, ninguém. É sobre tal situação esdrúxula — sermos incapazes de exprimir o o-que-é de algo que corriqueiramente acreditamos conhecer e de que falamos sem parar — que Santo Agostinho (354-430) nos convida a refletir.
Desejar é ligar-se ao corpo
- . 7 de novembro de 2022
Desejar é ligar-se ao corpo. Desejamos com o corpo e apenas através do corpo nos realizamos. E tudo que sentimos só nos é permitido sentir porque vivemos encarnados na matéria, em uma vida imanente e telúrica. Nada sentimos ou desejamos fora desta realidade.
O futuro não é incerto
- . 28 de outubro de 2022
Morrer é o detino implacável de todo ser humano. E a finalidade última de tudo aquilo que perece. Antes de termos nascido para amar, correr, voar e sentir saudades, nós nascemos para morrer.
Igualdade com diferença, e vice-versa
- . 17 de outubro de 2022
No curso da história humana, as religiões desempenharam um papel importante, maior ou menor conforme a época. Em nossos dias, é reconhecível um influxo particularmente forte da fé na vida social. Nisso, convém esclarecer, nenhum problema. Que as pessoas se preocupem hoje mais com as coisas divinas do que ontem não é escandaloso, assim como é normal o clima ter se tornado uma questão mais candente (nos dois sentidos da palavra) do que três décadas atrás.
Esperança é viver do avesso
- . 28 de setembro de 2022
Esperança é viver do avesso. É considerar que há uma vida apesar da morte. E é pensar que há uma vida em relação à morte. Porque vida e morte são dimensões de uma mesma coisa. Mas, a partir da morte, podemos encarar a esperança de viver de dois modos singulares e completamente distintos.
A vida em comum
- . 15 de setembro de 2022
Haverá o que comemorar no bicentenário da independência do Brasil? Francamente, muito pouco; a menos que tenhamos em mente o significado literal da palavra “comemoração”: em vez de ocasional festejo, rememorar em conjunto. Por ser capaz de despertar a reflexão, esse exercício é uma forma de escapar aos extremos, tanto o ufanismo patriota quanto o menosprezo inconsequente.