Texto | RONALDO CAMPOS

Em momentos de incerteza, é comum interpretar mudanças bruscas como um encerramento inevitável. Tarifas, tensões políticas e rearranjos no comércio global muitas vezes parecem anunciar perdas irreversíveis — sobretudo quando atingem setores estratégicos da economia. No entanto, a dinâmica internacional mostra que o que se apresenta como fim frequentemente apenas desloca oportunidades, abrindo caminhos onde antes não os víamos.

Foi o que ocorreu nos últimos meses, quando o tarifaço imposto pelo governo Trump reacendeu temores entre exportadores brasileiros. À primeira vista, o movimento sugeria retração e perda de espaço em mercados consolidados. Mas, em vez disso, reforçou a necessidade de buscar novas rotas e, em alguns casos, revelou alternativas mais promissoras que as tradicionais.

A iniciativa da Luckin Coffee, maior rede de cafeterias da China, ilustra bem esse movimento. A empresa lançou uma campanha de grande escala para promover o café brasileiro, colocando milhões de copos personalizados em circulação e ampliando a visibilidade do produto no país asiático. O que poderia ter sido interpretado como ameaça acabou servindo de impulso para reposicionar o café nacional em um mercado em plena expansão.

Quando caminhos conhecidos se estreitam, outros se abrem — muitas vezes com mais alcance e potencial. O que parecia perdido pode se revelar, na verdade, o primeiro passo para um novo começo. 


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Erdeni Aisingioro/Unsplash

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