Texto | RONALDO CAMPOS

Toda organização precisa investir na capacitação de seus profissionais. Em um ambiente de trabalho cada vez mais complexo, temas como segurança, ética, privacidade de dados e relacionamento interpessoal exigem atualização constante. No entanto, nem todo treinamento cumpre aquilo que promete.

Com frequência, treinamentos corporativos são tratados como uma obrigação burocrática, e não como uma oportunidade de aprendizagem. O objetivo deixa de ser desenvolver pessoas e passa a ser apenas comprovar que determinado conteúdo foi apresentado. O resultado é um ritual conhecido por muitos trabalhadores: assistir a vídeos pouco inspiradores, responder a questionários previsíveis e obter um certificado que raramente representa conhecimento efetivamente adquirido.

Esse modelo parte de uma premissa questionável: a de que adultos precisam ser conduzidos como crianças para manter a atenção. Multiplicam-se animações, recompensas simbólicas, testes simplificados e outros recursos que procuram tornar a experiência mais atraente. Nem sempre funciona. Muitas vezes, o participante apenas procura concluir a atividade no menor tempo possível, sem refletir sobre o conteúdo.

O problema não está no uso de elementos lúdicos, que podem ser valiosos quando bem empregados. O problema surge quando a forma substitui a substância. Aprender exige relevância, contexto e engajamento intelectual. Não basta clicar em algumas alternativas corretas para que uma ideia seja compreendida e incorporada à prática profissional.

Empresas que realmente desejam desenvolver talentos precisam confiar mais na capacidade de seus colaboradores. Em vez de transformar treinamentos em meros exercícios de conformidade, deveriam criar experiências que estimulem o pensamento crítico e a aplicação concreta do conhecimento. Afinal, certificados podem comprovar presença, mas somente o aprendizado transforma comportamentos. ■


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Redmind Studio/Unsplash

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