Texto | RONALDO CAMPOS

Se existe uma melodia capaz de atravessar séculos, ela talvez comece com o famoso “tan tan tan taaan” da 5ª Sinfonia de Beethoven. Reconhecida até por quem nunca frequentou uma sala de concertos, a obra se tornou um símbolo da força da música clássica. Mas é na grandiosidade da 9ª Sinfonia, especialmente em sua célebre “Ode à Alegria”, que encontramos uma das provas mais eloquentes de que algumas músicas realmente nunca morrem.

Há canções que fazem sucesso por algumas semanas, dominam as plataformas digitais e depois desaparecem. Outras, porém, atravessam gerações, sobrevivem às mudanças tecnológicas e continuam emocionando pessoas que nasceram décadas — ou até séculos — depois de sua criação. São obras que parecem escapar das limitações do tempo.

A 9ª Sinfonia é um exemplo extraordinário desse fenômeno. Composta no século XIX, continua sendo executada em teatros, cerimônias e celebrações ao redor do mundo. Sua mensagem de fraternidade e esperança permanece atual, independentemente da época ou da cultura. Poucas composições alcançaram tamanha permanência.

Mas a imortalidade musical não pertence apenas à música erudita. Canções como “Imagine”, de John Lennon, “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong, e “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, também parecem destinadas a permanecer vivas. Elas resistem porque falam de sentimentos universais: amor, sonho, beleza, paz e pertencimento. Enquanto esses sentimentos fizerem parte da experiência humana, essas músicas continuarão encontrando ouvintes.

Na minha opinião, uma obra musical se torna eterna quando consegue ultrapassar o contexto em que foi criada. Ela deixa de ser apenas uma composição e passa a integrar a memória coletiva da humanidade. A tecnologia muda, os estilos se transformam e as gerações se sucedem, mas certas melodias permanecem. Elas nos lembram que algumas formas de arte são capazes de vencer o tempo — e talvez seja justamente por isso que algumas músicas nunca morram. ■


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Guy Basabose/Unsplash

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