Texto | RONALDO CAMPOS

A economia costuma ser apresentada como um conjunto de números, indicadores e fórmulas. No entanto, por trás de qualquer sistema econômico existe um elemento menos visível e talvez mais importante: a confiança. Quando ela se enfraquece, as pessoas passam a tomar decisões que podem parecer irracionais à primeira vista, mas que fazem sentido à luz de suas experiências.

Em diversos países que enfrentaram períodos prolongados de inflação elevada, instabilidade monetária ou crises bancárias, muitas famílias desenvolveram o hábito de guardar parte de sua riqueza fora do sistema financeiro. Em vez de confiar integralmente em bancos, governos ou moedas nacionais, procuram proteção em ativos tangíveis, como ouro, imóveis ou moeda estrangeira. Trata-se menos de uma escolha de investimento e mais de uma estratégia de sobrevivência.

O problema é que aquilo que protege o indivíduo nem sempre beneficia a coletividade. Recursos mantidos fora do circuito econômico deixam de financiar empresas, estimular investimentos produtivos e ampliar a capacidade de crescimento de um país. Assim, forma-se um círculo vicioso: a falta de confiança leva à retirada de recursos do sistema, e essa retirada dificulta a recuperação da própria confiança.

Por essa razão, governos frequentemente tentam convencer a população a trazer suas economias de volta para o sistema financeiro formal. No entanto, confiança não pode ser decretada por lei nem construída por campanhas publicitárias. Ela surge quando instituições demonstram, ao longo do tempo, previsibilidade, transparência e respeito às regras.

No fim, o verdadeiro patrimônio de uma economia não está apenas em suas reservas, mas na credibilidade de suas instituições. Quando essa credibilidade existe, o dinheiro circula; quando desaparece, o dinheiro volta para debaixo do colchão. ■


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Roman Synkevych/Unsplash

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