Texto | RONALDO CAMPOS

Se viver mais é um privilégio, as mulheres parecem carregá-lo como vantagem em quase todas as sociedades. No Brasil, vivem em média oito anos a mais. Mas a pergunta não é apenas biológica: o que realmente explica essa diferença?

A resposta começa no corpo. O estrogênio, por exemplo, protege o coração feminino, enquanto os dois cromossomos X funcionam como uma rede de segurança genética. Os homens, ao contrário, são mais vulneráveis a doenças cardiovasculares e inflamatórias, e contam com menos “reserva biológica”.

Mas não é só genética. O modo de viver também conta. É difícil ignorar que muitos homens ainda se arriscam mais: bebem, fumam, tendem a dirigir em maior velocidade, se envolvem em situações violentas. E, como se não bastasse, demoram a procurar um médico, muitas vezes enxergando o cuidado com a saúde como sinal de fraqueza.

As mulheres, por outro lado, cultivam uma relação mais próxima com o próprio corpo e com as redes de apoio. Conversam, compartilham, buscam ajuda. Esse olhar coletivo para a vida não apenas alivia o estresse como fortalece a saúde mental – e, de forma indireta, também a física.

Portanto, viver mais não é apenas um dom biológico feminino, mas também uma consequência de escolhas, rotinas e da forma como cada gênero encara a própria vulnerabilidade. Se os homens desejam diminuir essa distância, talvez o caminho não seja só esperar pela medicina, mas aprender com o jeito feminino de cuidar – de si mesmos e dos outros.


Fontes consultadas : IBGE, Organização Mundial da Saúde, Harvard Medical School e artigos de Lancet Public Health sobre hábitos de risco e expectativa de vida.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Joel Muniz/Unsplash

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