Texto | RONALDO CAMPOS
No esporte profissional, grandes atletas não vendem apenas ingressos: vendem expectativa. A chegada de LeBron James ao Philadelphia 76ers é um exemplo eloquente desse fenômeno. Antes mesmo de entrar em quadra, o astro de 41 anos já provocou uma transformação econômica na franquia: o preço médio dos ingressos para seus jogos, que era de cerca de 68 dólares na temporada anterior, saltou para aproximadamente 300 dólares.
Entretanto, há uma contradição nesse fenômeno. Se, por um lado, a valorização de um astro beneficia o clube e movimenta a economia local, por outro, o encarecimento dos ingressos pode afastar justamente o torcedor comum, que acompanha a equipe por paixão e não dispõe de recursos para pagar centenas de dólares por uma partida. O espetáculo corre, assim, o risco de se tornar cada vez mais acessível apenas a uma parcela privilegiada do público.
Esse aumento revela a força de um astro do basquete, construída ao longo de décadas. LeBron não é apenas um jogador de basquete; é uma celebridade global, capaz de atrair torcedores que talvez nem acompanhassem regularmente os 76ers. Sua presença, portanto, amplia a procura pelo espetáculo e permite à franquia explorar comercialmente uma demanda extraordinária. Não por acaso, a expectativa é de que sua contratação também movimente setores como turismo, hotelaria, restaurantes e comércio na Filadélfia.
A “era LeBron” nos 76ers mostra, portanto, que o esporte profissional também é um grande negócio. O desafio está em conciliar a exploração comercial dos astros com a preservação do vínculo entre equipes e torcedores. Afinal, sem público apaixonado, o espetáculo pode até ser milionário, mas perde parte de sua razão de existir. ■
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto Divulgação | AP/Chris Szagola