Texto | RONALDO CAMPOS

Nascido nos bairros de Gauteng, na África do Sul, em meados da década de 2010, o amapiano deixou de ser um fenômeno musical local para conquistar pistas de dança e plataformas digitais em diferentes partes do mundo. Caracterizado por melodias de piano, graves marcantes e o uso dos chamados log drums, o gênero combina elementos de house, jazz e ritmos sul-africanos, criando uma sonoridade dançante e hipnótica.

Esse crescimento deve-se, em parte, à atuação de artistas como Kabza De Small, DJ Maphorisa, Focalistic, Tyler ICU, Uncle Waffles e Major League DJz, responsáveis por consolidar e renovar o estilo. A expansão das redes sociais e dos serviços de streaming também permitiu que suas batidas ultrapassassem as fronteiras africanas. Nesse processo, músicas como “Tshwala Bam”, de TitoM e Yuppe, ganharam repercussão internacional.

Outro exemplo é “Shayimpempe”, lançada em 2021 por Mavuthela, Swizz Panache e Ribby. Associada ao amapiano, a música alcançou grande popularidade e ganhou um videoclipe que acumulou milhões de visualizações.

Assim, o sucesso do amapiano demonstra que a globalização cultural não precisa significar uniformização. Ao contrário, um ritmo nascido em comunidades sul-africanas conseguiu preservar elementos de sua identidade enquanto incorporava influências diversas e alcançava públicos estrangeiros. Mais do que uma tendência passageira, o gênero revela a força da música como instrumento de circulação cultural e de afirmação de identidades locais em escala mundial.


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Divulgação Afrika Lyrics

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