Texto | RONALDO CAMPOS
A inteligência artificial vive um momento de expansão sem precedentes. As maiores empresas de tecnologia do mundo estão investindo centenas de bilhões de dólares em chips, data centers e infraestrutura digital, apostando que a IA será a principal força econômica das próximas décadas. No entanto, uma questão começa a preocupar investidores e analistas: a receita gerada pela tecnologia cresce em ritmo suficiente para justificar gastos tão gigantescos?
Embora a adoção da IA avance rapidamente, sua utilização ainda parece limitada em muitas organizações. Em diversos casos, a tecnologia é empregada para tarefas específicas, como elaboração de relatórios, atendimento automatizado ou apoio à pesquisa, sem alterar profundamente a estrutura das empresas. Isso ajuda a explicar por que os investimentos crescem mais rápido do que os resultados financeiros observados até agora.
A história econômica mostra que grandes inovações costumam atravessar períodos semelhantes. A eletricidade, a informática e a internet exigiram anos de adaptação antes de produzirem ganhos expressivos de produtividade. O mesmo pode ocorrer com a inteligência artificial. Seu potencial não depende apenas da capacidade dos algoritmos, mas também da disposição das organizações para rever processos, capacitar equipes e reorganizar suas atividades.
Por isso, o sucesso da IA não será determinado apenas pelos bilhões investidos em infraestrutura. O fator decisivo será a transformação das empresas e da forma como as pessoas trabalham. A tecnologia já demonstrou sua força; agora precisa provar que consegue gerar valor econômico na mesma proporção do entusiasmo que desperta. ■
Texto inspirado em reportagem publicada pela revista The Economist.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Nguyen Dang Hoang Nhu/Unsplash