Texto | RONALDO CAMPOS

O LinkedIn se tornou o grande espelho profissional do nosso tempo. Nele, todos buscam o melhor reflexo: a frase inspiradora, a foto correta, o elogio certeiro. É a vitrine do mérito, mas também pode se tornar o palco da vaidade. Cada conquista é celebrada como um troféu e cada aprendizado vira uma lição digna de aplausos. O problema é que, às vezes, o reflexo brilha mais do que a realidade.

A autopromoção, hoje, é quase uma exigência. Saber comunicar o próprio valor virou parte do trabalho. Mas quando o discurso supera a entrega, o marketing pessoal beira a ilusão. Há quem venda o que não poderá entregar — embalando promessas em histórias comoventes e palavras bem escolhidas. E o aplauso vem, mesmo assim.

Enquanto isso, cresce uma competição silenciosa: quem tem mais conexões, quem coleciona mais curtidas, quem conquista mais seguidores. A popularidade virou moeda que se mede em números — conexões, curtidas, seguidores. Mas nem sempre quantidade é qualidade — e o barulho das reações nem sempre ecoa em credibilidade. O ego, inflado, se confunde com influência.

Nada disso torna o LinkedIn um vilão. Ele é apenas o palco. O roteiro, quem escreve, somos nós. Mostrar o que fazemos de melhor é legítimo, mas preservar a coerência entre o que se diz e o que se faz é o que sustenta a reputação. No fim, o LinkedIn é uma ferramenta virtual — útil, poderosa, necessária. Mas o que realmente conta continua acontecendo fora da tela: nas relações reais, nas entregas concretas, nos gestos humanos silenciosos, sem precisar de likes para valer a pena.


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Nota: artigo baseado em informações publicadas pela revista The Economist (outubro de 2025).
Foto | Orban Alija | iStock

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