Por Gustavo de Oliveira
Videogames podem oferecer experiências singulares e estimulantes, que em meio a toda a interatividade, nos transmitem muito conhecimento, seja esse aprendizado algo prático (como compreender uma nova língua), seja algo mais simbólico e sensível (como a importância social da utilização de um idioma).
Algumas obras fogem do comum e nos permitem vivenciar esse tipo de acontecimento. É o caso de um jogo francês chamado Chants of Sennaar. Lançado no ano passado, ele se inspira na narrativa bíblica da Torre de Babel para explorar o papel essencial da linguagem e da comunicação na construção da sociedade humana.
Nele, assumimos o papel de um personagem conhecido como Viajante, cuja missão é escalar uma torre misteriosa. Porém, para progredir, é necessário dominar os idiomas dos diversos grupos étnicos que habitam cada andar dessa construção. É nesse contexto que o jogo desenvolve suas mecânicas, baseadas na resolução de quebra-cabeças linguísticos. Mas ele vai além: Chants of Sennaar também oferece uma reflexão profunda sobre a diversidade de linguagem e como o domínio de diferentes idiomas pode ampliar nossa compreensão das diversas culturas e sociedades.
Cada comunidade presente no jogo possui sua própria língua e modo de vida diferentes. Ao aprender esses idiomas, somos imersos em suas interações sociais, revelando conflitos, preconceitos e barreiras que nasceram das diferenças linguísticas ao longo dos anos. Só que ao contrário da narrativa bíblica, em que a Torre de Babel representa a divisão e o conflito gerados pelas diferenças, Chants of Sennaar propõe uma abordagem reconciliadora. Sua missão não é unificar os idiomas ou uniformizar os grupos étnicos, mas sim criar pontes de entendimento entre as diferentes culturas.
Cada língua é reconhecida como parte intrínseca da identidade e da cultura de seu povo. O objetivo do jogador é promover a compreensão entre cada um deles, respeitando e valorizando as diferenças linguísticas e culturais.

Chants of Sennaar é uma experiência bastante diferente, tanto na forma quanto no conteúdo. Mergulhar nessa jornada não apenas oferece entretenimento, mas também compreensão e valorização da dimensão coletiva e enriquecedora dos videogames.
Gustavo de Oliveira
Graduando em Jornalismo pelo Centro Universitário Carioca e técnico em administração. Redator desde 2018 com experiência em música e jogos.