Texto | GUSTAVO DE OLIVEIRA

O cenário do metalcore dos anos 2000 foi marcado por uma série de bandas que ajudaram a definir os rumos do gênero, misturando peso, melodia e técnica instrumental. Entre esses nomes, August Burns Red se destacou por construir uma identidade própria, que equilibra agressividade sonora e virtuosismo musical, além de uma lírica mais reflexiva. O álbum Constellations, lançado em 2009, é frequentemente citado como um dos pontos altos de sua carreira e como um marco no metalcore moderno.

O August Burns Red surgiu em 2003, em Lancaster, Pensilvânia, uma cidade sem grande tradição no cenário musical global, mas que se tornaria um núcleo fértil para a cena metalcore norte-americana. Em 2006, houve uma mudança crucial: a saída do vocalista original deu lugar a Jake Luhrs, que se tornaria a voz definitiva da banda. Sua entrada trouxe não apenas uma nova potência vocal, mas também uma presença de palco que solidificou a identidade do grupo.

Lançado em 14 de julho de 2009, Constellations é o terceiro álbum de estúdio da banda. Com 12 faixas e cerca de 48 minutos de duração, o álbum não trouxe uma ruptura radical em relação a Messengers, mas ampliou o que a banda já vinha construindo. Faixas como “White Washed”, “Marianas Trench”, “Existenc” e “Ocean of Apathy” tornaram-se referências para a sonoridade do grupo e ainda hoje são parte dos setlists de shows.

Uma das marcas de Constellations é a complexidade instrumental. Os riffs são rápidos, cheios de variações rítmicas e influências progressivas, enquanto a bateria se destaca pela precisão e inventividade. Outro aspecto importante é a abordagem lírica. Em Constellations, os temas são mais existenciais e reflexivos, abordando a fragilidade humana, a busca por propósito e a tentativa de compreender o lugar do indivíduo em um mundo marcado por contradições. A escolha do título do álbum, remetendo às constelações, reforça essa dimensão de olhar para além do imediato, buscando sentido em algo maior e mais amplo.

A produção de Jason Suecof também contribuiu para que o álbum tivesse um som mais limpo e poderoso, sem perder a agressividade. A clareza dos instrumentos, em especial das guitarras e da bateria, permitiu que a técnica dos músicos fosse percebida com nitidez, algo que nem sempre acontecia em produções de metalcore daquela época.

Constellations tornou-se um divisor de águas para o August Burns Red. Não apenas consolidou a banda como uma das principais vozes do metalcore, mas também serviu como um modelo de como o gênero poderia evoluir sem perder suas raízes. O álbum é frequentemente citado como um dos melhores lançamentos de 2009 no metal e, em retrospectiva, aparece em listas de discos essenciais do metalcore moderno.

Hoje, mais de uma década após seu lançamento, Constellations permanece como um dos discos mais representativos da banda e um marco para o metalcore, servindo de referência para novas gerações de músicos e ouvintes.

Clique AQUI para ouvir o álbum Constellations.


Gustavo de Oliveira
Graduando em Jornalismo pelo Centro Universitário Carioca e técnico em administração. Redator desde 2018 com experiência em música e jogos.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto divulgação | Metal Kingdom/Jake Luhrs

Share: