Texto | ANDERSON BORGES COSTA
Você gosta de histórias de amor com final feliz? E de contos de fadas, com uma mocinha pobre, bonita e sensível, que acaba encontrando o príncipe encantado e que, com ele, vive feliz para sempre? Se esse não é o perfil de filme que atrai você, esta coluna indica um que desconstrói a narrativa das histórias de princesas e sapatinhos perdidos em bailes. É o filme Anora, dirigido e roteirizado pelo americano Sean Baker.
Se você já viu Uma Linda Mulher (Pretty Woman), com Julia Roberts, perceberá semelhanças. Só que não. Anora conta a história de uma linda mulher, a Anora (Mikey Madison, em ótima atuação), que, assim como a personagem de Julia Roberts, é uma prostituta. Anora, assim como em Pretty Woman, se apaixona por um de seus clientes, também rico, na verdade, muito mais rico do que o parceiro de Julia Roberts (interpretado pelo Richard Gere). Anora, que tem 23 anos, se encanta por um jovem cliente, de 21 anos, um russo, bilionário, filho de um oligarca, Ivan (Mark Eidelshtein). O dinheiro de Ivan não encontra limites. Leva Anora para uma farra em Las Vegas e lá, embriagado, se casa com ela. A moça se vê como uma personagem de conto de fadas. E sua vida vai se transformar para sempre. A semelhança com o filme de Julia Roberts termina aí. Aliás, para pontuar a diferença, vale observar também o espaço onde se passam as histórias: Julia Roberts vive em Los Angeles, costa oeste dos Estados Unidos. Anora vive no Brooklyn, Nova York, na costa oposta do país.
E é justamente no momento em que os pais de Ivan descobrem que o filho se casou com uma prostituta que a vida de Anora sofre uma reviravolta. Dá para imaginar o que vai acontecer dali para a frente, certo? Pois é, mas o filme ainda entrega grandes surpresas para o espectador. Anora é um drama que flerta com o sonho de um final feliz. Mas a vida é um caminho com muitos espinhos afiados.
Segure-se no sofá, pois cinema também é movimento.■

Anora (Estados Unidos, 2024)
Direção: Sean Baker
Elenco: Mikey Madison, Mark Eidelshtein e Yura Borisov
Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto capa | Drew Daniels/Universal Pictures