Texto | ANDERSON BORGES COSTA
Se estivesse precisando de muito dinheiro, você faria um empréstimo bancário a juros exorbitantes? Se estivesse bem necessitado, pediria dinheiro emprestado a um amigo? E se ninguém se dispusesse a ajudar você, seria capaz de sequestrar alguém da própria família para levantar um dinheirinho? Essa situação absurda inspirou os irmãos Cohen a fazer o premiado filme Fargo.
Fargo é uma cidade no estado de Dakota do Norte, nos Estados Unidos. Todas as cenas do filme se passam no forte inverno local. Neva o tempo todo, e os personagens se agasalham com roupas pesadas. O clima na cidade é denso, e a história dialoga com essa densidade. Todo mundo parece estar sempre com fome; comem bastante. Pois é com fome e com frio, duas sensações desagradáveis, que assistimos a Fargo.
Jerry Lundegaard é o gerente de uma revendedora de automóveis. É um trapaceiro e está em dificuldades financeiras. Para sair da situação, decide sequestrar a própria esposa. Contrata dois marginais para levar a mulher e exigir o resgate de 80 mil dólares ao sogro, que é um empresário bem rico. Mas o plano de Jerry Lundegaard dá um pouco errado.
Os dois sequestradores têm estilos e personalidades diferentes. Sequestram a mulher de Jerry Lundegaard, mas a situação sai do controle e eles assassinam três pessoas. A neve cai, a fome bate, os personagens sentem frio e fome, e Jerry Lundegaard continua sem dinheiro.
Tem gente que considera Fargo uma comédia policial. Para mim, é um drama, muito mais do que uma comédia ácida, no qual os laços de família são esticados ao limite. A atriz Frances McDormand faz brilhantemente o papel da policial encarregada da investigação do caso. Levou com justiça o Oscar de melhor atriz. Se você gosta de neve e de comida, tem dois bons motivos para ver este filme. Se gosta de uma boa trama, com ótimas atuações, não pode perder Fargo.
Segure-se no sofá, pois cinema também é movimento. ■
Fargo – Uma Comédia de Erros (EUA, 1996)
Direção: Joel e Ethan Cohen
Elenco: Frances McDormand, William H. Macy, Steve Buscemi e Peter Stormare
Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Wallpapers