Texto | ANDERSON BORGES COSTA
Você gosta de assistir a filmes que dão medo, com vampiros? E filmes que tratam de música, com atores que cantam e tocam? E filmes que abordam questões sociais? E filmes que misturam a realidade com a fantasia, em uma história surrealista? E se juntarmos tudo isso aí com uma pitada de romance? Se você se interessa por uma salada cinematográfica, vai querer ver o filme Pecadores, recordista no Oscar, com incríveis 16 indicações.
O título Pecadores remete a valores religiosos, e o início do filme se passa numa igreja em uma pequena cidade no Mississipi nos anos 1930. É para essa pequena cidade que dois irmãos gêmeos retornam quando se tornam adultos e pretendem fazer um ajuste de contas com a História.
Vale a pena entender o contexto. O Mississipi é um estado no sul dos Estados Unidos com grande presença de comunidades negras, que sofrem grande discriminação e preconceito, e onde muitos brancos supremacistas apoiam a Ku Klux Klan. Nos anos 1930, estava em vigor no território norte-americano a Lei Seca, que proibia a fabricação, venda e transporte de bebidas alcoólicas no país. Achavam que o álcool causava pobreza, violência e corrupção moral da sociedade. A Lei Seca foi um grande fracasso, aumentou o crime organizado e o contrabando, liderado por figuras como Al Capone.
Os irmãos gêmeos, interpretados por um só ator, Michael B. Jordan, conhecem Capone e voltam à cidadezinha natal no Mississipi para abrir um clube de blues, como resistência à segregação racial numa tentativa de fazer um ajuste de contas histórico. Ali, são surpreendidos por vampiros cantores, que tentam se alimentar da força do blues. Se você é jovem, vai se surpreender com a aparição de uma lenda do blues, o guitarrista Buddy Guy, que, aos quase 90 anos, faz uma ponta emocionante após os créditos. Não ver o filme Pecadores é um grande pecado.
Segure-se no sofá, pois cinema também é movimento. ■
Pecadores (Sinners, EUA, 2025)
Direção: Ryan Coogler
Elenco: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Wunmi Mosaku, Delroy Lindo
Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Prime Video