Texto | ANDERSON BORGES COSTA

Você conhece alguma história da mitologia grega? Já deve ter ouvido falar de Aquiles, de Zeus, do Olimpo e do Cavalo de Troia. Mas talvez o mais assustador de todos os personagens da mitologia grega seja o Minotauro, uma criatura com corpo de homem e cabeça/cauda de touro. É inspirado nesse personagem da mitologia que o autor Joca Reiners Terron escreveu o romance Onde pastam os minotauros, um livro para leitores corajosos.

Na mitologia grega, o Minotauro foi aprisionado na cidade de Creta em um labirinto, um emaranhado de caminhos, vasta construção onde uma rede de salas e galerias se entrecruzam de tal maneira que fica difícil encontrar a saída. Aparentemente, a saída do labirinto é impossível. Se alguém encontrar ali o Minotauro, certamente será devorado por ele. Na mitologia grega, nos espanta saber que o Minotauro é derrotado e morto pelo herói Teseu.

O livro de Terron é menos mitológico, mais realista, mas não deixa de dialogar com a fantasia do labirinto grego. Em uma cidade no interior de Mato Grosso, a pobreza domina a cena. Três funcionários de um matadouro de bois trituram a carne, trituram os ossos e preparam o material que será vendido e comprado por poucos afortunados que conseguirão comer. A carne dos bois do matadouro é a refeição dos patrões que lucram com a exploração do trabalho dos funcionários do abatedouro. Os que ali trabalham têm fome. E, do lado de fora do matadouro, uma multidão de miseráveis se espreme para tentar comer a sobra de ossos descartados.

A fome transforma humanos em gado. O labirinto em Onde pastam os minotauros é um emaranhado de caminhos que levam à fome. Joca Reiners Terron conduz o leitor a um labirinto de pobreza e de fome, temperado com a violência dos excluídos, à espera de um Teseu que nunca chega. Tudo isso regado a uma linguagem ao mesmo tempo crua e poética. 

Boas leituras!

Onde pastam os minotauros, de Joca Reiners Terron
Editora Todavia

 


Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | GETTY IMAGES

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