Texto | RONALDO CAMPOS
O crescimento da audiência da Superliga Feminina de Vôlei não é apenas um dado positivo: é um sinal de mudança cultural. Em um país onde o esporte profissional costuma reproduzir desigualdades, o vôlei se tornou um raro exemplo de equilíbrio — e até de vantagem feminina. Como lembra Sheilla Castro, poucas modalidades no Brasil conseguem garantir às mulheres salários e premiações comparáveis (ou superiores) aos dos homens. Isso não acontece por benevolência, mas porque o público fez sua escolha: o vôlei feminino é, há anos, mais assistido, mais valorizado e mais comercialmente relevante.
A força das torcidas é parte essencial desse fenômeno. O ginásio cheio em Osasco não é romantização; é realidade comprovada rodada após rodada. A atmosfera criada pela torcida — vibrante, ruidosa, fiel — transformou o José Liberatti em um dos ambientes mais intimidadores do esporte mundial. No Rio, o Sesc RJ Flamengo mantém uma relação igualmente sólida com seus torcedores, que acompanham e impulsionam a equipe, maior campeã da história da Superliga.
E enquanto parte do esporte nacional patina entre escândalos, falta de gestão e ligas que não conseguem se conectar com o público, o vôlei feminino apresenta um modelo que funciona — técnica forte, clubes competitivos e comunidades apaixonadas. Não surpreende, portanto, que o Sesc-Flamengo esteja invicto na temporada 2025–2026: performance de alto nível costuma florescer em ambientes sustentados por confiança e continuidade.
No fim das contas, o sucesso do vôlei feminino mostra que o Brasil responde quando vê profissionalismo, entrega e emoção autêntica. Talvez esteja na hora de o restante do esporte nacional aprender com as meninas do vôlei. E quem sabe você também não se torna um voleifã? ■
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Vince Fleming/Unsplash