Texto | RONALDO CAMPOS
Não é de hoje que sabemos que a educação não vai bem neste país. Além dos indicadores nacionais, relatórios internacionais — como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), organizado pela OCDE — também revelam resultados insatisfatórios. Em 2022, ano da edição mais recente, 81 países participaram da avaliação, e os resultados em leitura mostraram que os estudantes brasileiros estão, em média, dois anos e meio abaixo do nível de proficiência dos países mais bem colocados.
Isso significa que um jovem de 15 anos, por exemplo, da Finlândia, apresenta praticamente as mesmas competências, em termos de leitura, que um adulto brasileiro de 18 anos. É como se um aluno do primeiro ano do ensino médio finlandês fosse capaz de ler e discutir textos no mesmo nível que um estudante universitário brasileiro do primeiro ou segundo ano. Ou, ainda, que um jovem brasileiro de 15 anos só compreendesse aquilo que uma criança finlandesa de 12 já lê com desenvoltura.
Não sou educador, mas sempre entendi que apenas por meio da educação é possível construir uma sociedade justa. Além disso, desconheço qualquer país que tenha alcançado desenvolvimento econômico sustentado sem ter a educação como base. Não consigo enxergar de outra forma: educação em primeiro lugar — como caminho para uma sociedade mais justa e segura, com um sistema político digno e oportunidades para todos. Em resumo: só nos resta educar, educar e educar. O resto é consequência.
Imagine se cada professor, cada educador, cada pessoa que teve acesso aos estudos doasse uma aula. Nada muito complexo — apenas os conteúdos do ensino fundamental e médio. Tudo reunido em um site aberto à consulta pública, organizado por disciplinas. Pode parecer uma solução utópica, como tantas outras que um dia também foram vistas assim: o fim do feudalismo, da escravidão, o direito de mulheres e analfabetos ao voto, a queda do Muro de Berlim… tantas utopias que se tornaram realidade.
“Ao vencedor, as batatas!” é um lema de outro tempo. Não cabe mais neste mundo. Somos inteligentes o suficiente para compreender que muitas transformações estão em curso — não apenas nas relações humanas, mas também no próprio planeta. Nunca se exigiram tantas respostas em prazos tão curtos. Já não há espaço para quem acredita estar combatendo o aquecimento global instalando ar-condicionado em casa, nem para aqueles que caçoam dos péssimos resultados educacionais como se estivessem diante de uma piada — e não de um problema alarmante que exige seriedade e ação.
Basta imaginar: se um veículo em alta velocidade sofre um acidente grave na estrada, não é apenas o motorista que corre risco de morte — todos os ocupantes estão em perigo. Não haverá vitoriosos nem derrotados, vencedores nem perdedores, campeões nem lanternas. Não haverá gol, nem bola, nem quem chute ao gol.■
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Sam Balye/Unsplash