Por Gerson Carlos Tiburcio

Burlei um dia de quarentena,
E lá fui eu para a fila na Caixa.
Buscar os seiscentos reais.
E ouvi dizer: você não se encaixa.

Equipado igual a um robô.
Sem tomar nenhum café.
Bem que vovó sempre dizia.
Não adianta oração sem fé.

Depois de um dia em pé,
Equipado com máscara de pano.
Pensei que estava abafando.
E na fila me chamaram de marciano.

Pensando que iria entrar na bufunfa.
Levei o carinho de feira e a sacola.
Em casa a mulher e as crianças na espera.
E lá vou eu de volta sem a esmola.

Assim como eu, outros tantos voltaram.
Sem ao menos deliciar um prato PF.
Porque quem nas eleições não votou.
Com raiva, eles bloquearam o CPF.

Mas por aqui a fome já é grande.
Só com essa gripezinha anunciada.
Imagina você, se aparecer mesmo.
Essa tal de pandemia profetizada.

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