Texto | RONALDO CAMPOS
Há uma idade em que criar ainda parece mais importante do que agradar. Antes que o medo da crítica, a preocupação com o sucesso ou a necessidade de seguir padrões limitem a imaginação, muitos jovens encontram na arte uma maneira espontânea de interpretar o mundo. Pintar, desenhar, fotografar ou esculpir não são apenas exercícios de habilidade: são formas de perguntar, contestar e revelar aquilo que nem sempre pode ser explicado por palavras.
Por isso, estimular a produção artística entre crianças e adolescentes deveria ser parte importante da educação. A arte não precisa formar futuros artistas para justificar sua presença nas escolas. Seu valor está também em desenvolver sensibilidade, autonomia e capacidade de observar a realidade por diferentes perspectivas. Quem aprende a criar aprende, de certa maneira, que existem várias respostas possíveis para um mesmo problema.
Essa liberdade se torna ainda mais significativa em períodos de incerteza. Quando o mundo parece difícil de compreender, a criação artística pode oferecer aos jovens um espaço para transformar angústias, experiências e descobertas em algo concreto. Mais do que representar a realidade, a arte permite reorganizá-la e, eventualmente, enxergá-la de outra maneira.
Valorizar a expressão artística dos jovens, portanto, é reconhecer que eles não são apenas aprendizes à espera de um futuro. Já possuem algo a dizer sobre o presente. E talvez uma das melhores formas de educá-los seja justamente garantir que, antes que o mundo lhes ensine a desistir de imaginar, tenham a oportunidade de descobrir a força da própria voz. ■
Nota: Texto inspirado na exposição Young Artists’ Summer Show 2020, da Royal Academy of Arts, em Londres. Clique aqui para ver a exposição.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Imagem | Phoebe, Age 18 Gouache paint on paper, 36 x 40cm