Texto | RONALDO CAMPOS

O Dia Internacional da Francofonia, celebrado em 20 de março, costuma ser apresentado como uma homenagem à língua francesa e à diversidade cultural dos países que integram a Organização Internacional da Francofonia (OIF). No entanto, limitar essa data a uma celebração simbólica é desperdiçar sua potência política e cultural. Mais do que comemorar um idioma, a francofonia deveria provocar reflexão crítica sobre o papel das línguas no mundo contemporâneo.

Em um cenário global marcado pela hegemonia do inglês, defender o francês — e, por extensão, o plurilinguismo — é também resistir à homogeneização cultural. Não se trata de nostalgia ou de preservar uma tradição elitista, mas de reconhecer que diferentes línguas carregam formas próprias de pensar, organizar o mundo e produzir conhecimento. Nesse sentido, a francofonia pode ser vista como um contraponto necessário à lógica dominante de padronização.

Por outro lado, é preciso reconhecer tensões históricas que atravessam esse espaço. Em muitos países africanos, por exemplo, o francês convive com línguas locais que foram historicamente marginalizadas. Celebrar a francofonia sem considerar esse passado colonial pode transformar a data em um gesto superficial. O desafio, portanto, está em ressignificar o francês como ferramenta de diálogo — e não de imposição.

Assim, o Dia Internacional da Francofonia ganha relevância quando deixa de ser apenas comemorativo e se torna um convite à reflexão: que vozes estão sendo amplificadas? Quais ainda permanecem silenciadas? Defender a diversidade linguística exige mais do que celebração; exige consciência crítica e compromisso com um mundo verdadeiramente plural.

À bientôt.


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Joshua Hoehne/Unsplash

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