Texto | RONALDO CAMPOS
As festas de fim de ano, com suas ceias fartas e longas celebrações, costumam nos afastar da rotina alimentar habitual. Com o início de um novo ano, pesquisadores reforçam a necessidade de retomar a atenção ao que colocamos no prato — especialmente diante do aumento do consumo de produtos ultraprocessados.
Segundo o professor Carlos Monteiro, da Universidade de São Paulo (USP), os ultraprocessados são produtos formulados com ingredientes industriais — como açúcares refinados, gordura saturada, amidos modificados e diversos aditivos — e passam por múltiplas etapas de processamento para ganhar longa duração e sabor marcante. Entram nesse grupo refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos e refeições prontas que têm ganhado espaço nas últimas décadas.
Um grande estudo internacional citado pela BBC, que analisou 104 pesquisas de longo prazo, observou associações consistentes entre o consumo elevado desses produtos e maior risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, depressão e mortalidade precoce. Apesar disso, os cientistas destacam que ainda não é possível afirmar se o problema está no processamento em si — incluindo aditivos — ou nos altos níveis de açúcar, sal e gordura saturada, aliados à baixa presença de fibras.
Assim, até que as dúvidas científicas sejam esclarecidas, especialistas sugerem priorizar alimentos in natura, como frutas e verduras. Trata-se de uma orientação sólida enquanto o debate sobre os estudos dos ultraprocessados avança. Uma coisa é certa: os produtos in natura fazem bem à saúde. Portanto, “mangia ciò che ti fa bene” (coma o que te faz bem). ■
Texto baseado na matéria da BBC “Ultra-processed food is global health threat, experts warn”, de 19 November 2025.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Thomas Le/Unsplash