Tradução e adaptação | RONALDO CAMPOS

A fusão entre Kraft e Heinz, em 2015, parecia promissora. Com Warren Buffett e a 3G Capital por trás, tudo indicava que os condimentos, queijos processados e refeições prontas continuariam sendo sucesso de venda. Mas a realidade hoje é bem diferente: o valor de mercado da Kraft Heinz despencou 60% desde então, e a empresa já cogita uma cisão.

Além da má gestão e dos cortes de custo agressivos, a gigante enfrenta um cenário mais amplo de desgaste no setor. As grandes marcas alimentícias vêm perdendo espaço: ações de empresas como General Mills e Hershey caíram cerca de 9% no último ano, e as vendas estão despencando.

O motivo? Pressão sobre o bolso dos consumidores, inflação persistente, cortes em benefícios alimentares nos EUA e o avanço de medicamentos para perda de peso, que reduzem o apetite por junk food. Isso abre espaço para marcas menores e para os produtos de marca própria dos supermercados.

As autoridades reguladoras também apertam o cerco contra corantes e aditivos em alimentos ultraprocessados. Mudar receitas sem perder clientes virou uma missão delicada.

A Kraft Heinz agora estuda separar seus produtos menos lucrativos, como carnes embaladas, e focar em molhos e pastas. O exemplo da Kellogg’s — que cresceu após se dividir em duas empresas — mostra que encolher, às vezes, pode ser o primeiro passo para voltar a crescer.


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Erik Mclean/Unsplash

Artigo publicado originalmente na seção de negócios da edição impressa da The Economist sob o título Ketchup if you can (Ketchup se puder), em 17 de julho de 2025.

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