Texto | RONALDO CAMPOS

O artigo da OECD (2025), intitulado Leveraging Artificial Intelligence to Support Students with Special Education Needs, investiga como a inteligência artificial (IA) pode apoiar estudantes com necessidades educacionais especiais (SEN, sigla em inglês para Special Education Needs) para atingir seus objetivos de aprendizagem, ao mesmo tempo em que destaca alguns riscos.

Inicialmente, o documento clarifica o que se entende por “necessidades educacionais especiais” e apresenta a justificativa para o uso de IA nesse contexto. A IA pode oferecer suporte extremamente personalizado: há diversas ferramentas já validadas por pesquisas para diferentes tipos de SEN — desde dificuldades de aprendizagem (como dislexia ou dislalia), até deficiências motoras ou transtornos de saúde mental. Por exemplo, o relatório descreve tutores inteligentes, jogos educacionais adaptativos, painéis de monitoramento individualizados e outras tecnologias projetadas para responder às particularidades de cada estudante.

Por outro lado, a publicação alerta que a adoção de IA nessa área não está isenta de desafios. Há evidências ainda limitadas sobre a eficácia a longo prazo de muitas dessas ferramentas; além disso, existe o risco de viés nos dados usados para treiná-las, o que pode reproduzir desigualdades. Também há preocupações significativas em relação à privacidade e proteção de dados, especialmente considerando o caráter sensível das informações de alunos com SEN.

Para mitigar esses riscos, o relatório propõe condições operacionais e de governança bem definidas. Entre as recomendações estão o co-design (envolver alunos, professores, famílias e desenvolvedores no processo de criação), formação contínua de educadores, parcerias público-privadas e financiamento mais estruturado para pesquisa. Também se enfatiza a necessidade de monitoramento constante: avaliar o impacto real dessas tecnologias no aprendizado, ajustar ferramentas conforme o feedback e garantir que sua implementação seja ética e sustentável.

No aspecto de políticas públicas, a OECD propõe quatro áreas prioritárias para orientar a integração da IA em práticas inclusivas: design ético, pesquisa e monitoramento, proteção de dados e prestação de contas. Essas diretrizes visam assegurar que a IA realmente contribua para tornar a educação mais inclusiva — não apenas como uma promessa tecnológica, mas como uma ferramenta prática e segura para apoiar estudantes vulneráveis.

Em síntese, o relatório da OECD destaca que a inteligência artificial tem um grande potencial para transformar a educação de alunos com necessidades especiais, oferecendo personalização e apoio adaptado. Contudo, esse potencial só será plenamente realizado se houver uma governança cuidadosa, participação de todos os atores envolvidos e um compromisso com a ética, a privacidade e a avaliação contínua.


Fonte | Linsenmayer, E. (2025). Leveraging Artificial Intelligence to Support Students with Special Education Needs. OECD Artificial Intelligence Papers, No. 46, OECD Publishing. Informações consolidadas por IA.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Imagem | iStock

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