Texto | RONALDO CAMPOS

Com a megavalorização das empresas de inteligência artificial (IA), o mercado financeiro parece dividido entre céticos e entusiastas. Mas, observando os movimentos globais — e a velocidade com que a IA já influencia setores inteiros — é difícil não perceber que estamos diante de algo muito diferente das euforias tecnológicas do passado. O Banco Safra, ao apostar que o ciclo da IA está só no começo, parece ler esse cenário com mais coragem do que cautela.

A criação de uma área exclusiva para o tema reforça essa convicção. E, de fato, o paralelo com a bolha “ponto.com” de 2000 só se sustenta superficialmente. Naquele momento, as startups vendiam mais promessas do que produtos. Hoje, as companhias de IA não apenas entregam tecnologia real, como já geram receita em escala — e fazem isso de maneira mensurável, recorrente e global.

Não surpreende, portanto, que os fundos lançados pelo Safra, dedicados ao setor, tenham acumulado 317% do CDI e entregado mais de 55% de rentabilidade em 12 meses. Pode-se discutir se estamos em um pico de empolgação, mas é difícil ignorar resultados tão concretos.

O movimento do banco para avançar sobre outras frentes — como fundos focados em data centers, peça-chave do ecossistema da IA — indica uma leitura estratégica de longo prazo. Data centers não são moda: são infraestrutura. E infraestrutura é o tipo de investimento que só cresce quando a tecnologia deixa de ser promessa e vira necessidade.

No fim, a mensagem do Safra é simples, quase didática: é hora de plantar. E quem planta antes dos outros costuma colher antes. Mesmo que o mercado oscile — e ele vai oscilar — o banco parece apostar que a IA não é apenas mais um ciclo, mas o próprio terreno onde os próximos ciclos serão cultivados.


Artigo baseado em matéria publicada pelo Valor Econômico em 17/11/2025.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Imagem capa | Morgan Housel/Unsplash

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