Texto | RONALDO CAMPOS
Antes de vir para a nossa escola, ele já era campeão mundial de judô. Aos 28 anos, no auge da fama, abandonou as competições e passou, com prazer, a ensinar no curso secundário. E não era apenas isso o que sabíamos sobre ele. Como éramos excelentes alunos, resolvemos fazer uma longa e minuciosa pesquisa sobre sua vida. Descobrimos coisas que nos deixaram completamente encantados. Não era como a paixão entre adultos, mas como aquela que uma criança sente por um verdadeiro herói.
Nossa pesquisa começou como deveria: pela infância. E logo descobrimos que ela não havia sido nada fácil. Seus pais eram muito humildes e analfabetos, mas sabiam que a única maneira de lhe proporcionar um futuro promissor era incentivá-lo aos estudos.
Foi na escola, aos cinco anos, que ele conheceu o judô e começou a treinar. No entanto, a situação financeira da família o obrigou a começar a trabalhar aos oito anos de idade. O trabalho ocupava mais o seu tempo do que o deixava cansado. Mas essa falta de tempo o forçou, aos doze anos, a escolher entre o judô ou os estudos. A escolha foi muito dolorosa para ele e para seus pais. Ainda assim, continuou trabalhando durante o dia e treinando judô à noite.
Aos dezoito anos, participou de sua primeira competição como profissional; aos vinte e sete, conquistou o título mundial de judô e, no ano seguinte, ganhou uma medalha de ouro nas Olimpíadas.
Famoso e financeiramente estável, decidiu ensinar no curso secundário. Não ministrava as disciplinas tradicionais, como matemática, português, ciências ou inglês. Como professor de Educação Física, ele nos ensinava o que havia aprendido de mais valioso ao longo da vida. Costumava repetir todos os dias: “Não há limites para a excelência. Tudo depende do que está na sua cabeça e do quanto você é capaz de se dedicar. O sucesso não é determinado apenas pela juventude ou pelo favoritismo, mas pela perseverança, pelo preparo e pela atitude mental.”■
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Amirr Zolfaghari/Unsplash