Texto | RONALDO CAMPOS

As bonecas Labubu são difíceis de encontrar, mesmo na gigantesca loja da marca, a Pop Mart, em Xangai. Todos os dias, multidões de clientes são informadas de que precisam esperar uma semana ou mais para adquirirem a boneca. As criaturas élficas com caretas, que vêm em “caixa surpresa” que mantêm os compradores em suspense sobre qual delas comprar, são vendidas por apenas US$ 20,00 (aproximadamente R$ 110,00). Porém, uma delas, muito rara, foi vendida por US$ 150.000,00 (aproximadamente R$ 814.000,00) em um leilão realizado em 10 de junho. Não são apenas crianças chinesas que tentam comprá-las: celebridades como o ex-jogador de futebol Beckham e Rihanna, uma estrela pop, manifestaram publicamente sua admiração.
A febre da Labubu elevou as ações da Pop Mart em 180% desde o início deste ano. Ela faz parte de um grupo crescente de marcas de consumo chinesas cuja popularidade está crescendo. Durante décadas, os consumidores chineses buscaram no exterior as últimas tendências em cosméticos, moda, hospitalidade e muito mais. Agora, eles estão migrando para empresas locais de luxo, marcas de maquiagem de alta qualidade e lojas sofisticadas de chá. Além disso, muitas dessas marcas estão conquistando seguidores fiéis no exterior.
Essa mudança de comportamento do consumidor chinês sinaliza uma maturação do mercado doméstico e um novo senso de identidade cultural. Os jovens, em particular, estão cada vez mais interessados em apoiar marcas que consideram autênticas, inovadoras e enraizadas em valores locais. Em vez de enxergar os produtos estrangeiros como símbolo de status, eles agora buscam originalidade, nostalgia e um toque de “China cool”. Nesse contexto, personagens como a Labubu, com seu visual excêntrico e apelo emocional, se tornaram objetos de desejo que ultrapassam faixas etárias e classes sociais.
Ao mesmo tempo, a ascensão dessas marcas chinesas no cenário internacional não é acidental. Empresas como a Pop Mart estão investindo pesadamente em design, marketing digital e experiências imersivas para atrair tanto consumidores locais quanto globais. Elas dominam o uso de plataformas como o TikTok e o Xiaohongshu para gerar engajamento orgânico e criar uma aura de exclusividade. Se continuarem nesse ritmo, é provável que essas marcas deixem de ser curiosidades regionais e passem a competir de igual para igual com gigantes ocidentais em mercados estratégicos como o europeu e o norte-americano. Será que eles devem se preocupar?■
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Fontes consultadas | The Economist/Business, 23.06.2025 | IA, 03.07.2025
Foto divulgação | POP MART | Getty Images