Texto | ANDERSON BORGES COSTA
Você gostava de ouvir histórias antes de dormir? Quem as contava a você: seu pai, sua mãe, sua avó? E, muitas vezes, antes de chegar ao final da história, você caía no sono? Pois é uma história que mistura realidade e sonhos, sem que um saia do outro, o tema do belo livro A casa da madrinha, da premiada autora brasileira Lygia Bojunga.
A madrinha é uma mãe que não é mãe. É uma tia, uma amiga dos pais, uma presença para a possibilidade da ausência. A madrinha carrega no imaginário a figura da fada, que aparece para resolver problemas, para trazer a felicidade quando estamos cercados de desafios impossíveis de serem superados.
A casa da madrinha é a história de Alexandre e sua busca pela casa que não tem. Alexandre é um garoto pobre no Rio de Janeiro na década de 1970. Ele mora na favela e trabalha para ajudar a sustentar a casa dos pais. A vida é dura e cruel, mas ele adora ir para a escola e assistir às aulas de uma professora que leva para a sala uma maleta da qual tira muitas surpresas. Por ser uma professora que dá aula com um método pouco tradicional, ela é despedida.
O irmão mais velho de Alexandre, Augusto, por quem Alexandre tem enorme respeito, conta a ele a história da casa da madrinha, com vista para o mar e que guarda um segredo, que só a madrinha, Augusto e Alexandre conhecem — e precisam guardar. Augusto vai se casar e sair de casa. E pede para Alexandre trabalhar mais para sustentar a casa dos pais. Alexandre desiste da escola e passa a fazer shows na praia em companhia de um pavão. Ele, então, conhece a menina Vera, rica e branca, que passa a ter forte ligação com Alexandre.
A casa da madrinha é uma fábula, é um sonho, mas é bastante real. Adultos ou jovens, lemos este livro com a sensação de que tudo existe, tudo é possível. Mesmo que a história se passe durante uma ditadura, como a que governava o Brasil de Alexandre. A casa da madrinha tem uma porta que precisa ser, urgentemente, destrancada.
Boas leituras! ■

A casa da madrinha, de Lygia Bojunga
Editora Agir
Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | danilo.alvesd/Unsplash