Por Anderson Borges Costa
Durante a Olimpíada, assistimos às competições em diversas modalidades com um olho no vencedor e outro no recorde a ser batido. Para quem gosta de qualidade e alto rendimento, um filme que certamente estaria no pódio do Olimpo cinematográfico é o primeiro longa da trilogia O Poderoso Chefão, dirigido por Francis Ford Coppola.
A competição em uma Olimpíada é o carro-chefe no sistema capitalista. A corrida pelo dinheiro e pelo poder, no capitalismo, são motores que frequentemente levam pessoas a passarem por cima de princípios éticos e morais para conquistar seu objetivo. A Olimpíada do capitalismo é uma competição cuja conquista nem sempre pressupõe regras.
O Poderoso Chefão pode ser visto como uma metáfora do capitalismo americano. Don Vito Corleone (Marlon Brando) é o chefe de uma “família” de Nova York. O filme começa com Don Vito na festa de casamento de sua filha. Ali, já somos apresentados a sua família e a sua “família” — pessoas que pedem todo tipo de favores a Don Vito em troca da fidelidade ao chefe. Don Vito passa por cima de tudo e de todos para ajudar seus “afilhados” e não mede esforços para oferecer “justiça” a quem lhe pede ajuda. Para isso, comete assassinatos, roubos e todo tipo de traição. Em troca, ironicamente, não aceita a traição. A vida, para os mafiosos Corleones, tem apenas um lado: a sobrevivência da “família” Corleone, que precisa se manter no pódio a qualquer preço.
Se na Olimpíada os atletas buscam vitórias e recordes, O Poderoso Chefão é um medalhista de ouro, pois, além de ter recebido mais de uma dezena de indicações, ganhou três estatuetas douradas do Oscar e cinco Globos de Ouro. Portanto, este filme imperdível, que merece ser visto e revisto, é um verdadeiro TesOuro. Segure-se no sofá, pois cinema é movimento.
O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972)
Direção: Francis Ford Coppola
Estados Unidos
Elenco: Marlon Brando (Vito Corleone), Al Pacino (Michael Corleone) e James Caan (Sonny Corleone)
Assista AQUI ao trailer oficial.
Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.