Texto | ANDERSON BORGES COSTA
Você gosta de filmes que misturam realidade e ficção? Que fazem a realidade se encaixar tão bem na ficção que mal percebemos o que é real e o que é inventado? Pois tem um filme que faz isso contando três histórias em uma só. É o premiadíssimo Titanic, aquele da icônica cena na proa do navio, na qual o personagem Jack (Leonardo diCaprio), junto de Rose (Kate Winslet), abre os braços e grita para o mar: “Eu sou o rei do mundo!”.
Titanic é, ao lado de Ben-Hur e de O Senhor dos Anéis, o filme recordista de Oscars em toda a história. É uma história de amor. E a história de um naufrágio. E é a história do resgate de uma joia que afundou dentro do navio.
A cena na proa do navio simboliza a liberdade que Jack respira para a jovem Rose, aprisionada na promessa de um casamento de conveniências do qual ela quer escapar. A hipocrisia dos interesses burgueses é um naufrágio para quem quer o amor verdadeiro. A joia que tenta comprar o amor nada vale para quem sente que a maior joia é apenas a presença da pessoa amada. A ficção real é muito mais concreta do que a realidade de um naufrágio.
Ao desafiar as convenções sociais no ano de 1912, Jack e Rose ganham a força de um transatlântico capaz de cruzar qualquer oceano. E capaz de dar, a dois dias de convivência entre o casal, a intensidade de uma existência inteira, lembrando a força e a tragédia de Romeo e Julieta na peça de Shakespeare.
O transatlântico Titanic tentou unir com pompa e arrogância os dois lados do Atlântico. O filme Titanic uniu, com uma ficção real, o sonho de construir a verdade sobre as geladas águas da paixão. Titanic ganhou 11 Oscars. E é daqueles filmes que dá vontade de ver 11 vezes.
Segure-se no sofá, pois cinema também é movimento. ■
Titanic (EUA, 1997)
Direção: James Cameron
Elenco: Leonardo diCaprio e Kate Winslet
Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto capa | Wallpapers.com