Cláudia Lima

RESUMO: Neste momento global de total fragilização de valores, mais do que nunca se faz necessário um compromisso com a educação integral que considere o ser humano em todas as suas capacidades, inclusive e prioritariamente a capacidade de amar, por ser a partir dela que se estabelece toda e qualquer relação com o mundo, começando consigo mesmo até o outro, seja ele terra, verde, água, bicho ou gente. São muitos os projetos que têm nascido a partir de iniciativas individuais na busca da transformação que se espera. Aos poucos vai se descortinando uma grande rede de articulações onde essas iniciativas se unem, se conversam, unem saberes em parceria, se complementam e alcançam resultados de alto impacto positivo, porque se integram.

Palavras-chave: Educação integral. Iniciativas individuais. Novos valores. Sustentabilidade. Amor. Transformação. Rede.

 

Este é um texto para os que, como eu, não querem deixar o mundo acabar.

Foram vários lugares percorridos no Brasil e na América do Sul para reencontrar nas lições da natureza os valores tão esquecidos no mundo.

​Nesta caminhada, busquei iniciativas ambientais inspiradoras e encontrei gente muito comprometida fazendo do seu trabalho um verdadeiro propósito no cuidado com a vida.

Senti uma vontade imensa de escrever para os pequenos, compartilhar os meus achados e criar novos começos nos quais natureza e crianças possam se reencontrar, restabelecer laços de afeto, e em que o amor seja o guia para determinar escolhas e decisões sustentáveis.

Os textos foram chegando pelo caminho, uma poética reflexão sobre a nossa jornada por aqui. Somos todos viajantes.

Convidei algumas ONGs por onde viajei para compartilharem suas experiências. Interagir e trocar com as crianças o que fazem, como e qual a finalidade desse fazer pode significar uma experiência inspiradora, com exemplos positivos na direção de que é possível zelar pela vida por meio de estudo, planejamento e boas práticas. Em parceria, caminhamos nas escolas unindo literatura e consciência ambiental.

Práticas de leitura possibilitam muitas descobertas e a percepção do mundo com mais cuidado e de que forma somos parte dele. Narrativas, o olhar do autor e a caminhada dos personagens tocam a nossa história pessoal, as nossas lembranças e nos levam a conhecer mais sobre nós mesmos, e sobre o outro, favorecendo convívios melhores.

Além da experiência na escola, o livro infantil em leitura compartilhada é o afago da presença que a gente precisa. Como autora, me surpreendo com as leituras que os livros vão ganhando, onde as histórias deixam de ser minhas para ganhar novos olhares. Os desenhos e as cartinhas incríveis que recebo por aqui dizem muito de cada um!

Em seu site, a Unesco sugere um papel mais significativo para a inteligência emocional na educação.

O amor como fio condutor

Entendo a educação como um processo de expansão da consciência que, por natureza, é essencialmente amorosa. Contínuo e conjunto, nos conduz por um despertar daqui, ponto em estamos, para um passo sempre adiante.

A proposta deste trabalho é apenas relembrar a essência que somos, apontando uma reflexão e revisão dos valores que nos movimentam no mundo.

Em seu site, a Unesco sugere um papel mais significativo para a inteligência emocional na educação. Considera que a educação para o desenvolvimento sustentável avançou com a promoção do pensamento crítico, da resolução de problemas, da aprendizagem centrada na solução. Contudo, tem feito menos progresso em consolidar o aprendizado emocional que se conecta com a beleza e a diversidade da Terra, seu povo e suas criaturas. Tal aprendizagem pode fornecer uma base emocional para uma ação social intencional no sentido de preservar o que é valorizado para o futuro.

Escolhi falar dos bichos para falar de nós. Todos em busca de um lugar no mundo onde a vida seja possível, acolhedora e amigável. Além disso, os animais, quando alteram seus hábitos e comportamentos na natureza, nos levam a temas importantes que se referem ao impacto humano como aquecimento global, desmatamento, agrotóxicos.

Percorridas as etapas de literatura e conscientização ambiental, nasceu a necessidade de elevar o trabalho de sensibilização e conscientização das crianças a uma prática de conservação, imediata e transformadora, reforçando o papel fundamental da escola como um campo de treino de novos comportamentos sustentáveis.

Se as abelhinhas estão de partida, não encontram árvores nem flores para pendurar sua casinha, vamos plantar com as escolas e buscar iniciativas que promovam plantios públicos, unindo famílias, resgatando o verde, a vida e o pertencimento à cidade.

Por todos os seres marinhos e pela vida de todo o planeta que depende do mar, lançamos para 2018 a campanha de sustentabilidade para as escolas #PorAmorAoMar, que recebeu o apoio da ONU Meio Ambiente e vai certificar as escolas participantes. A ideia é diminuir o uso de copos plásticos no ambiente escolar para reduzir o acúmulo de lixo que vai parar no mar.

São novos caminhos na educação, com ações inovadoras e abrangentes, em consonância com o documento da nova Base Nacional Comum Curricular, de dezembro de 2017, na qual disciplinas se misturam e se complementam, incorporando aos currículos e às propostas pedagógicas novas abordagens para temas contemporâneos que afetam a vida humana em escala global.

Articulações foram se estabelecendo em modo de cooperação e parceria, ampliando o repertório, enriquecendo o processo de educação para o desenvolvimento integral, conectando num mesmo propósito várias partes, escolas, ONGs, especialistas, iniciativas individuais, famílias, comunidade.

A grande rede em jornada no despertar. Aprendizes, SOMOS TODOS VIAJANTES.

 

Claudia Lima é formada em Comunicação Social, buscadora de caminhos melhores para o mundo, autora do Projeto Somos Todos Viajantes, trabalhado em mais de cem escolas.

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