Texto | RONALDO CAMPOS

Alguns especialistas alertam que determinadas ações humanas podem levar o meio ambiente a “pontos sem retorno”, enquanto outros ressaltam a capacidade de regeneração da natureza. Embora os ecossistemas possam se recuperar de diversas agressões, essa capacidade não é ilimitada nem garante o restabelecimento das condições originais. A Floresta da Tijuca e o mercúrio na Amazônia mostram que a regeneração depende do tipo de dano e da ação humana.

O caso da Floresta da Tijuca demonstra que a recuperação é possível quando há intervenção humana adequada. Em 1861, o governo imperial de Dom Pedro II determinou a desapropriação das antigas fazendas de café e o início do reflorestamento, pois a devastação ameaçava o abastecimento de água do Rio de Janeiro. O replantio inicial criou sombra e umidade, condições que favoreceram a regeneração natural da mata. Contudo, a floresta atual, embora semelhante, não é idêntica à original. Assim, a natureza se recupera, mas nem sempre retorna ao estado anterior.

Em contrapartida, o mercúrio despejado pelos garimpos ilegais nos rios amazônicos causa um dano que a natureza dificilmente desfaz sozinha. Nos ambientes aquáticos, o mercúrio pode se transformar em metilmercúrio, substância tóxica que se acumula nos organismos e atinge concentrações mais elevadas a cada nível da cadeia alimentar, fenômeno conhecido como biomagnificação. Consequentemente, os peixes contaminados expõem as populações ribeirinhas que os consomem a graves riscos à saúde. Como esses efeitos podem persistir por longos períodos, esperar que a natureza resolva o problema sozinha significa ignorar os limites da sua capacidade de recuperação.

Diante disso, a capacidade de regeneração não deve servir de justificativa para a degradação ambiental, pois prevenir é mais eficaz do que reparar depois. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ibama e a Polícia Federal, intensificar a fiscalização do garimpo ilegal por meio do monitoramento por satélite e da punição dos responsáveis, a fim de impedir novas contaminações. ■


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto divulgação| Raphael Nogueira/Unsplash

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