Texto | RONALDO CAMPOS

O envelhecimento ainda é associado, frequentemente, à perda de capacidade, à dependência e à falta de oportunidades. Essa visão preconceituosa, porém, ignora a diversidade das experiências individuais e pode comprometer a própria qualidade de vida. Envelhecer não significa deixar de aprender, produzir ou participar da sociedade.

O etarismo, quando incorporado pela própria pessoa, pode se transformar em uma profecia autorrealizável. Ao acreditar que já passou da idade para estudar, trabalhar ou experimentar novas atividades, o indivíduo tende a restringir suas possibilidades e a comprometer sua autoestima. Em contrapartida, pesquisas indicam que uma percepção positiva do envelhecimento está associada a melhores condições cognitivas, maior satisfação com a vida e até maior longevidade.

Combater esse preconceito, entretanto, exige mais do que uma mudança de atitude individual. É necessário questionar padrões culturais que determinam o que seria apropriado para cada idade, ampliar a representação de pessoas idosas e estimular a convivência entre gerações. O conhecimento, a experiência e a disposição para aprender não desaparecem simplesmente com o passar dos anos.

Portanto, reconhecer o envelhecimento como parte natural da vida é fundamental para construir uma sociedade mais inclusiva. A longevidade, conquista da saúde pública moderna, deve ser acompanhada de oportunidades para viver com autonomia, dignidade e participação social. Afinal, envelhecer não é perder o direito de fazer planos, mas ganhar a possibilidade de continuar construindo a própria história. ■


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Aysegul Aytören/Unsplash

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