Por Gustavo de Oliveira
A música muitas vezes é fruto das diferentes trocas culturais e das narrativas provenientes dessas relações. Um exemplo disso é a cantora nipo-britânica Rina Sawayama, que junta diferentes influências artísticas e pessoais para criar obras que se diferem de tudo que existe na música pop.
Sua trajetória é cheia de mudanças bruscas: em 1990 ela nasceu em Niigata, no Japão, onde viveu até os 5 anos de idade. Nessa época sua família decidiu se mudar para Londres, na Inglaterra. Por lá ela passou o restante da sua juventude, chegando a se formar em Ciência Política pela Magdalene College, em Cambridge. Todos esses fatores influenciaram sua formação como pessoa e artista.
Em 2020, Rina lançou seu primeiro disco, intitulado Sawayama. O álbum que carrega seu sobrenome no título tem o objetivo de transcender suas experiências, criando uma obra autobiográfica poderosa. Aqui, a cantora narra os anos que passou durante o processo de amadurecimento da adolescência para a vida adulta. Ela cruza suas histórias com fatores como os contextos da imigração, suas relações familiares e a procura por uma identidade em um mundo que parece muito diferente do que ela conhece. Essa construção emocional resulta não apenas em uma miscelânea de sentimentos, como de experimentações musicais e homenagens.
Rina se posiciona como uma cantora de música pop, mas essa é apenas uma nomenclatura que não representa a infinidade de seu trabalho. Celebrando a revolta adolescente, a artista passeia pelo metal (mais especificamente o nu-metal do início dos anos 2000) e compõe com a força necessária para expor suas sensações. É dessa maneira que Sawayama se inicia, reverberando a raiva em conjunto da inventividade. As composições que se diferem do restante do álbum servem justamente para ilustrar o deslocamento e o não pertencimento juvenil. É o primeiro passo de uma jornada cronológica na vida de Rina e na música que existe nesse disco.
Não só de pop e metal é feito o trabalho da artista. Acompanhando a complexidade do amadurecimento e os diferentes caminhos que podemos percorrer, ela se apropria de diferentes gêneros musicais para criar sua narrativa. Mesmo com a música pop ainda sendo o carro-chefe, ela é feita para celebrar os elementos que a constituíram durante a juventude de Rina, nos anos 2000. Aqui temos exemplos e referências de house, synthpop, glam metal e pop japonês. Os diferentes capítulos musicais colaboram para definir um discurso baseado nas referências extremamente bem colocadas.
As escolhas de Rina para encontrar direcionamento se devem à sua ancestralidade, e com isso ela deseja criar um legado com sua arte. A música foi uma resposta que ela encontrou, e compartilhar essa biografia colabora para que, assim como ela, outros possam encontrar um lugar neste mundo.
Ouça aqui a música “Dynasty”.
Gustavo de Oliveira
Graduando em Jornalismo pelo Centro Universitário Carioca e técnico em administração. Redator desde 2018 com experiência em música e jogos.