Poema | PAUL ÉLUARD(*)

La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur,
Un rond de danse et de douceur,
Auréole du temps, berceau nocturne et sûr,
Et si je ne sais plus tout ce que j’ai vécu
C’est que tes yeux ne m’ont pas toujours vu.

Feuilles de jour et mousse de rosée,
Roseaux du vent, sourires parfumés,
Ailes couvrant le monde de lumière,
Bateaux chargés du ciel et de la mer,
Chasseurs des bruits et sources des couleurs,

Parfums éclos d’une couvée d’aurores
Qui gît toujours sur la paille des astres,
Comme le jour dépend de l’innocence
Le monde entier dépend de tes yeux purs
Et tout mon sang coule dans leurs regards.

Tradução | CAMILA BARRETO

A curva de teus olhos

A curva de teus olhos circunda meu coração,
Uma ciranda de dança e doçura,
Auréola do tempo, berço noturno e seguro,
E se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos nem sempre me viram.

Folhas do dia, musgo do orvalho,
Ervas ao vento, sorrisos perfumados,
Asas que cobrem o mundo de luz,
Barcos carregados do céu e do mar,
Caçadores de sons e nascentes de cores,

Fragrâncias nascidas de um ninho de auroras,
Que repousa na palha das estrelas.
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos puros
E todo o meu sangue corre em seu olhar.


Camila Barreto foi a vencedora do Projeto Escrita 2019 e se tornou colunista da revista INSPIRE-C. Atualmente estuda Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Fonte Wikipedia | (*) Paul Éluard (1895 — 1952) (pseudónimo de Eugène Émile Paul Grindel, 1895-1952) foi um poeta francês, um dos principais representantes do movimento surrealista. Também participou do movimento dadaísta e tornou-se conhecido como “O Poeta da Liberdade”, especialmente pela sua poesia de resistência contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.

Imagem | René Magritte. The False Mirror. 1929. Oil on canvas, 21 1/4 × 31 7/8″ (54 × 80.9 cm).

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