Por Anderson Borges Costa
Ler um livro pode ser uma forma bacana de se divertir. Uma história bem contada pode ser o passaporte para algumas horas de lazer. Nesta edição, quero comentar sobre um escritor norueguês, mestre em histórias de entretenimento, o best-seller Jo Nesbo, autor de Headhunters.
Quando pensamos na Noruega, vem-nos à cabeça a imagem de um país justo, bem resolvido, com ótimos índices econômicos, sociais, de segurança e bem-estar. Ou seja, um país onde todos têm o mínimo para levar uma vida decente. No entanto, Headhunters mostra que não é bem assim. É, portanto, um livro que nos surpreende. A cada página.
O protagonista é Roger Brown, o mais talentoso headhunter do país. A função de um headhunter (a palavra em inglês significa “caçador de chefes”, mas também pode ser interpretada como “caçador de cabeças”) é encontrar profissionais altamente qualificados para cargos de chefia. Ele faz o papel de intermediário entre a empresa e o candidato, encontrando o perfil ideal. Roger Brown é um excelente headhunter; basta ele indicar um candidato para a empresa contratá-lo sem titubear.
A imagem de país próspero se confirma quando olhamos para a vida pessoal de Roger Brown: ele é casado com a linda mulher por quem é apaixonado, dona de uma galeria de arte. Mora em uma mansão maravilhosa. Tudo perfeito. Só que não. Ele passa por uma crise financeira, pois não tem dinheiro suficiente para pagar as despesas que sua vida de alto padrão exige. Para fechar o mês sem dívidas, Roger rouba obras de arte e as vende no mercado ilegal.
A história fica mais interessante quando Roger recebe em seu escritório um candidato, Clas Greve, um executivo holandês altamente qualificado, que tem em casa um quadro original do renomado pintor Rubens. Roger Brown vê em Clas a chance de mais uma indicação infalível como headhunter e a presa perfeita para uma investida como contrabandista de obras de arte.
Roger Brown e Clas Greve passam a disputar cada página do livro em uma narrativa envolvendo poder e estratégias que surpreendem o leitor com idas e vindas, voltas e reviravoltas que não deixam ninguém respirar nem despregar os olhos da página. Um thriller que provoca a sensação de que nossa cabeça está sendo levada para um lado, depois para o outro, sendo literalmente caçada pelo headhunter que dá título ao livro. Deixe-se ser caçado por essa disputa. Boas leituras!
Headhunters (título original: Hodejegerne, Jo Nesbo)
Tradução: Kristin Lie
Editora: Record
Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.