Em 18 de março, o escritor, professor e colunista da INSPIRE-C Anderson Borges Costa lançará o seu novo livro Professoras.
Para saber sobre este quentíssimo lançamento e sobre os demais trabalhos, leia, a seguir, a entrevista exclusiva que ele gentilmente nos concedeu.
Boa leitura!
INSPIRE-C: Gostaria que você contasse um pouco sobre o seu novo livro,
Professoras, que será lançado em 18 de março, e já emendo com uma segunda pergunta: por que esse título?
Anderson: O livro Professoras é um romance de autoficção. É inspirado no trabalho voluntário que realizei na Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru, entre 2018 e 2020 (interrompido por causa da pandemia), dando aulas de português para as presas estrangeiras. A Avenida Zaki Narchi, 1369, no bairro do Carandiru, em São Paulo, encarcera, junto com brasileiras, centenas de presas estrangeiras. Um grande número de línguas é falado atrás de seus portões de aço. Nem sempre são entendidas. A língua portuguesa, ali, pode ser o meio para aliviar uma cólica menstrual, uma dor de cabeça, uma dor na consciência. Todos os personagens no livro são fictícios, embora haja um contato muito próximo com a realidade que ali presenciei. No livro, o narrador é o professor, mas são as encarceradas que realmente ensinam algo ao mestre. Portanto, o título é uma homenagem às lições de vida que as reeducandas (como são chamadas as presas no Carandiru), inconscientemente, oferecem ao narrador. Por isso, o subtítulo de Professoras é “Aulas devidas a presas estrangeiras encarceradas na Penitenciária Feminina da Capital”.
INSPIRE-C: Você publicou três outros livros: os romances Rua Direita e Avenida Paulista, 22 e a antologia de contos O livro que não escrevi. O romance Professoras de alguma maneira dialoga com eles?
Anderson: Eu procuro me reinventar em cada texto que escrevo, em cada livro que crio, em cada página que digito. Nesse sentido, é possível enxergar universos bem distintos nos meus livros. Em Rua Direita, o protagonista tenta matar sua fome ao mesmo tempo que não consegue escapar de uma pequena rua no centro de São Paulo. Em Avenida Paulista, 22, um garoto de 16 anos, que mora e estuda na principal avenida de São Paulo, encontra, em 1922, o amor pela primeira vez. Ele é testemunha da Semana de Arte Moderna de 1922 e das transformações pelas quais o Brasil passa 100 anos após a Independência e durante a Primeira Guerra Mundial. O garoto participa de um experimento que o faz abandonar tudo, família, amigos e namorada, para ser levado à mesma Avenida Paulista 100 anos depois. Ele cai ali no ano de 2022 e descobre ser vítima de uma intrigante trama que foi elaborada por 100 anos. Por fim, O livro que não escrevi são contos com um viés existencialista e metalinguístico, refletindo sobre o ato de escrever e sobre os conflitos da existência humana. No entanto, ao mesmo tempo que são enredos bem distintos uns dos outros, os livros que escrevo estão ligados por um mesmo fio, que procura atar os personagens com uma prosa poética, a dilemas e angústias de pessoas que vivem sobre o asfalto. Os personagens de Professoras estão dentro da mesma visão de mundo.
INSPIRE-C: Você também escreve peças teatrais, Quarto feito de cinzas é um
monólogo que fala sobre a felicidade “forçada” que as pessoas buscam,
principalmente nas datas festivas, por exemplo, no Carnaval. Em seu
livro, Professoras, existe um encontro genuíno com a felicidade?
Anderson: Não acho que encontros genuínos com a felicidade sejam encontros comuns. Gosto dos encontros mais inusitados, mais surpreendentes. A felicidade é um grande clichê, com o qual minhas peças teatrais e meus livros pouco dialogam. Como escreveu Clarice Lispector, a felicidade, quando aparece, quase sempre é clandestina.
INSPIRE-C: Quem são as professoras a que você se refere no título do livro?
Anderson: São as presas estrangeiras encarceradas na Penitenciária Feminina da Capital de São Paulo, no Carandiru. Cada uma tem uma história de vida, em um canto distante do mundo, mas se encontram em uma pequena cela de prisão em nosso país. As professoras são mulheres que estão bem perto de nós, mas que insistimos em tornar invisíveis. Aprendemos muito quando elas deixam de ser transparentes e se revelam seres bastante humanos para nossos olhos viciados. Diante da terrível realidade delas, somos todos aprendizes.
INSPIRE-C: Você é uma pessoa que escreve muito. Como é a sua relação com a escrita? Ela ocorre de forma harmoniosa ou é um trabalho que exige muito esforço?
Anderson: Escrever para mim é um hobby, é um prazer e é um trabalho, que me dá prazer, mas que me causa angústia. Escrevo com natural facilidade, mas o natural é resultado de esforço constante.
INSPIRE-C: Que dicas você daria para os jovens que estão começando a escrever
e querem ser escritores?
Anderson: Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que, se existe um jovem que pensa em ser escritor, este jovem merece, de cara, os parabéns. Só pensa em ser escritor quem foi despertado para o mundo fantástico das histórias, das narrativas, da construção de enredos através da linguagem. Acho que uma dica muito importante é deixar que as histórias que nascem em sua cabeça cresçam com carinho e com alguma orientação, para que façam sentido e que sejam sentidas. Outra dica importante é que a história que um escritor cria é resultado das histórias com as quais ele teve contato antes. Uma história criada é alimentada pelas histórias lidas. Por isso, a minha dica de outro para alguém que pretende se tornar escritor é: leia, leia muito, leia com prazer.
INSPIRE-C: Como as pessoas podem adquirir os seus livros?
Anderson: Todos os meus livros estão disponíveis na internet. Informações sobre meus livros, minhas peças teatrais, participações na mídia e resenhas podem ser encontradas no meu site oficial: https://andersonborgescosta.com.br/.
Rua Direita, em: www.chiadoeditora.com
Avenida Paulista, 22 em:
O livro que não escrevi, em: https://lojavirtual.giostrieditora.com.br/index.php
INSPIRE-C: Para terminar a entrevista, farei a pergunta clássica da INSPIRE-C: o que te inspira?
Anderson: O cotidiano me inspira, a arte me inspira, a vida, a morte, o amor e o ódio. Mas o que mais me inspira é sempre o desconhecido que mora embaixo do próximo passo que dou em cada caminhada.
Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.