Por Marcella Erédia e Natasha Lima

Também conhecido como sci-fi, o gênero de ficção científica possui narrativas e produções abrangentes. São filmes que abordam diversos fenômenos fictícios ligados à ciência e à tecnologia e que também extrapolam o comportamento humano diante desses cenários.

As histórias podem conter elementos de humor, suspense ou terror, e são uma ótima forma de entretenimento, mas não é só isso. Muitas vezes, os filmes de ficção científica carregam importantes reflexões sobre a vida em sociedade e sobre os mistérios do universo e da natureza.

Repletos de inovações e fantasia, as produções do estilo contam, cada vez mais, com maior orçamento e público. Elas podem tratar de viagens ao espaço, vidas extraterrestre, sociedades futuristas, experimentos nunca vistos e, é claro, tudo isso em sintonia com teorias da física, biologia, química e matemática, unindo imaginação e realidade.

Este mês indicamos dois filmes que marcaram o estilo: Gattaca (1997), que aborda a manipulação do DNA humano e questões ligadas à bioética; e Interestelar (2014), que trata de viagem espacial, buracos negros e diferentes dimensões.

Gattaca (1997)

Direção: Andrew Niccol
Elenco: Ethan Hawke (Vincent), Uma Thurman (Irene), Gore Vidal (Josef) e Xander Berkeley (Dr. Lamar)
Disponível no Prime Vídeo e na iTunes Store

O filme conta a história de uma sociedade futurística cercada de maravilhas tecnológicas, dentre elas, a possibilidade de manipular o DNA humano para a criação de bebês perfeitos, com baixa probabilidade de doenças e grandes habilidades físicas e mentais.

Tudo pareceria bem se tais avanços da medicina estivessem disponíveis para todos. Mas, como é de se imaginar, a manipulação genética é um negócio lucrativo e, portanto, restrito a uma parcela da população.

Sendo assim, pessoas que nascem biologicamente são consideradas inferiores e acabam condenadas a ocupar determinados espaços da sociedade. Afinal, apresentam todos os “defeitos” da aleatoriedade que são eliminados pela manipulação do DNA em laboratório.

É o caso de Vincent Freeman, um homem nascido em condições naturais que sonha em se tornar astronauta. Pela sua condição genética, ele é impedido de perseguir tal ambição. Mas Vincent não se dá por vencido e cria meios de driblar o sistema e provar o seu valor.

A trama se desenvolve em torno da dificuldade de Vincent em esconder a sua real identidade, principalmente quando ele se vê envolvido em uma investigação criminal. Por meio desse plot, o filme nos leva a refletir sobre questões atuais, como a bioética e o transhumanismo.

Seriam os seres humanos geneticamente modificados melhores do que os outros? Podemos realmente fugir da natureza? Quais são os limites da tecnologia? São perguntas difíceis de ser respondidas, mas que propiciam grandes debates.

O importante é lembrar que nossos erros e imperfeições fazem parte de quem somos. E abdicar de tais experiências e sensações é, ao mesmo tempo, abrir mão de quem podemos nos tornar. Afinal, as maiores conquistas da humanidade não teriam acontecido se não houvesse tantas barreiras a superar.

Embora a vida em Gattaca possa parecer atraente para algumas pessoas, ela é limitadora. Uma sociedade em que estaríamos aprisionados à perfeição e, portanto, em que nos tornaríamos menos  humanos.

Interestelar (2014)

Direção: Christopher Nolan
Elenco: Matthew McConaughey (Cooper), Mackenzie Foy (Murphy, fase criança), Jessica Chastain (Murphy, fase adulta), Timothée Chalamet (Tom), Anne Hathaway (Amelia), Michael Caine (Dr. Brand)
Disponível em Google Play Filmes e no YouTube

O filme narra uma época em que o mundo caminha rumo à escassez de alimentos e o fim da vida como a conhecemos devido a problemas ambientais, como pragas e tempestades de areia. Com a falta de condições básicas para a sobrevivência e sem perspectiva de melhora, é preciso buscar esperança fora da Terra.

Nesse cenário, Cooper, um ex-piloto de testes da Nasa, é convidado a embarcar em uma viagem espacial com outros três cientistas e dois robôs, Tars e Case. O objetivo é atravessar um buraco de minhoca perto de Saturno e encontrar um novo planeta com condições propícias para a perpetuação da espécie humana.

O dr. Brand, responsável por orquestrar a missão, explica que existem duas possibilidades. Plano A: localizar um planeta habitável e resgatar o restante da população. E plano B: usar embriões que já estão a bordo da nave para recomeçar a espécie em outro lugar e, portanto, deixar a população da Terra para trás.

Para Cooper, não existe o plano B. Ele embarca deixando seu pai e dois filhos, Murphy, de 10 anos — que herdou as habilidades do pai e é apaixonada por ciência — e Tom, de 15 anos. Mesmo sem saber quando iria voltar ou qual seria o impacto temporal da viagem, ele promete retornar.

Inspirado no trabalho do físico Kip Thorne (que, inclusive, é o consultor técnico e produtor executivo do longa), o filme trabalha com teoria da relatividade, viagem no tempo, wormholes (buracos de minhoca) e buracos negros.

A produção foi sucesso de público e crítica, tendo ganhado algumas premiações, incluindo o Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2015. Conta com uma trilha sonora, roteiro e atuações marcantes.

Considerado por alguns como um dos melhores sci-fi dos últimos tempos, devido a sua qualidade técnica e precisão científica, o filme ainda promove reflexões importantes sobre a nossa relação com o tempo, o uso da ciência e a busca por sobrevivência. O dilema moral do plano B, as motivações das personagens ao executar a missão e a exploração de um novo planeta são exemplos disso.

Interestelar é um filme para se descobrir e absorver aos poucos. Apesar de ser uma ficção, ele carrega tensão e carga emocional capazes de fazer com que o público se identifique com as personagens e, ao fim da história, queira assistir novamente.

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