Por Anderson Borges Costa
 
O Brasil viveu duas décadas sangrentas sob uma cruel ditadura militar (entre 1964 e 1985). Recentemente, nossa democracia voltou a ser desafiada e colocada em xeque. Mas, felizmente, as urnas eletrônicas não permitiram que o xeque em que foi encurralada se transformasse em um xeque-mate. A democracia venceu e voltamos a respirar ares mais oxigenados.

Não apenas no Brasil, mas em boa parte da América Latina, a sombra de golpes que impõem ditaduras militares escureceu a região durante anos na segunda metade do século XX. De todas elas, uma das mais sangrentas foi a ditadura na Argentina, entre 1976 e 1983, que assassinou, de acordo com o grupo Avós da Praça de Maio, mais de 30 mil pessoas. Os militares do topo da pirâmide, responsáveis por tantas mortes, desaparecimentos e torturas, foram levados a julgamento por corajosos advogados em um momento de tensão, tristeza e alívio, que poderia ser traduzido na melodia de um belo tango. No entanto, o jovem diretor Santiago Mitre traduziu este momento em mais um tocante filme argentino, Argentina, 1985.

O cinema argentino há muito tempo vem se destacando como o melhor em nossa região. Com filmes que alternam temáticas políticas, dramáticas e comédias, nossos vizinhos têm nos brindado com histórias inteligentes e uma estética naturalista bastante convincente.

Mais uma vez, o excelente ator Ricardo Darín é o protagonista neste enredo, fazendo o papel do promotor público Julio Strassera, que, junto de seu adjunto, o jovem Luis Moreno Ocampo (Juan Pedro Lanzani), contrata uma equipe de advogados novatos com a difícil missão de investigar todos os crimes cometidos durante a ditadura e condenar os responsáveis.

Se a convivência entre irmãos é um eterno exercício de aprendizagem, a Argentina é um país irmão que nos oferece uma grande oportunidade de fortalecer nossa democracia jogando luz na escuridão a que nossa ditadura nos condenou. O filme Argentina, 1985 é uma fraterna lição que podemos aprender e apreender quando prendermos quem nos prendeu injustamente. Segure-se no sofá, pois cinema é movimento.

Argentina, 1985 (2022)
Direção: Santiago Mitre
Argentina
Elenco: Ricardo Darín (Julio Strassera) e Juan Pedro Lanzani (Luis Moreno Ocampo)

Clique AQUI e assista ao trailer


Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.

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