Texto | RONALDO CAMPOS
Os assistentes pessoais baseados em inteligência artificial prometem transformar a relação das pessoas com a tecnologia. Ao organizar compromissos, realizar compras e planejar viagens, essas ferramentas podem devolver aos usuários um recurso cada vez mais escasso: o tempo. Entretanto, quanto maior sua autonomia, maiores também são os riscos envolvidos.
Para funcionar plenamente, esses sistemas precisam acessar informações pessoais, dados financeiros e serviços digitais. Essa integração, embora conveniente, amplia as preocupações com privacidade, segurança e confiabilidade. Afinal, um erro em uma recomendação pode ser inconveniente, mas uma compra indevida ou o vazamento de dados pode trazer consequências concretas.
Há ainda um desafio econômico: convencer as empresas a permitir que agentes automatizados interajam com seus sistemas, especialmente quando isso ameaça modelos de negócio baseados em publicidade e no contato direto com o consumidor.
O avanço desses assistentes é promissor, mas sua adoção não deve ser confundida com confiança irrestrita. Para que a inovação represente progresso, as empresas precisarão demonstrar transparência, garantir a proteção dos dados e manter os usuários no controle das decisões. A tecnologia será realmente útil quando a conveniência não exigir que se abra mão da segurança. ■
Nota: Este artigo foi inspirado na matéria “AI-powered personal assistants could reshape the digital economy”, publicado na revista The Economist.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Adam Birkett/Unsplash