quero dizer, e vez por outra eu digo,
da realidade das pessoas
não em comparação,
porque cada um vive o seu real,
mas num ato de entrega violenta
a própria fragilidade humana,
àquilo descrito de nós mesmos,
tão imaculadamente desdém
num mundo onde aparecer importa mais que viver
procuro não me mascarar
se choro, sinto.
se grito, pulso.
se estou, aqui.
e há ocasiões em que, da água
batendo na bunda ou no umbigo,
a inteireza de minha pele é sinal de perigo
deixo ficar, vivo e aprendo a jogar
na realidade, minha e do outro,
da outra, das outras,
não há velocidade para tanto bem estar
não há tempo para máscaras de plenitude
branca, branda, pousando brilhante estelar
é preciso comer, viver, existir,
apesar