Texto | RONALDO CAMPOS
Durante décadas, as redes de fast-food consolidaram-se como uma alternativa prática e acessível para milhões de consumidores. Entretanto, a elevação contínua de seus preços, superior à dos supermercados, tem reduzido essa vantagem competitiva e provocado mudanças nos hábitos alimentares. Nesse contexto, torna-se evidente que a sobrevivência dessas empresas dependerá menos de campanhas promocionais e mais de uma adaptação consistente às novas demandas do mercado.
Em primeiro lugar, o consumidor, sobretudo o de menor renda, tornou-se mais sensível ao custo-benefício. Atualmente, em muitas cidades brasileiras, um combo em grandes redes de fast-food custa mais do que um bom prato feito (PF) servido em restaurantes populares. Além da melhor relação entre quantidade e preço, uma refeição composta por arroz, feijão, legumes e uma fonte de proteína oferece maior qualidade nutricional e promove maior sensação de saciedade. Desse modo, a conveniência, por si só, já não basta para justificar preços elevados.
Além disso, estratégias como descontos temporários, brindes e campanhas nas redes sociais tendem a gerar apenas resultados passageiros. Embora despertem curiosidade e aumentem momentaneamente o fluxo de clientes, tais iniciativas não solucionam o problema central: a percepção de que o produto oferece menos valor pelo preço cobrado. Em um mercado altamente competitivo, ações de marketing não substituem uma proposta comercial sólida.
Dessa forma, as grandes redes precisarão investir em mudanças estruturais, como cardápios mais alinhados às preferências atuais, preços mais competitivos e opções compatíveis com a crescente preocupação dos consumidores com saúde e qualidade. Ainda assim, terão enorme dificuldade para competir com uma refeição tradicional que reúne preço acessível, elevado valor nutricional e forte identificação cultural. Em países como o Brasil, será difícil que um hambúrguer substitua, em custo-benefício, uma boa mistura acompanhada de arroz e feijão. ■
Nota: Segundo pesquisa do PROCON-SP com preços apurados pelo DIEESE, o preço médio do prato feito no município de São Paulo foi de R$ 38,30 em fevereiro de 2026. Já um combo das principais redes de fast-food costuma variar entre R$ 39 e R$ 43, dependendo da cidade e da unidade.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Foto de Gigi Visacri/Unsplash