Texto | ANDERSON BORGES COSTA

Você já se imaginou na terceira idade? Como acha que ficará seu corpo? Cheio de rugas, a pele seca, cabelos ralos, dentes moles, dificuldade para se locomover, memória fraca? A juventude é uma fase da vida e não durará para sempre. Mas não se preocupe: o filme A Substância tem a solução para todas as angústias que a velhice pode lhe trazer.

Com belas atuações da ainda bela Demi Moore, aos 62 anos, e de Margaret Qualley, aos 29 anos, A Substância retrata a vida da atriz Elisabeth Sparkle (Moore), uma celebridade decadente que já não recebe mais convites para atuar e que acaba de ser demitida do programa fitness que apresenta na TV. Deprimida, ela se vê escanteada do sucesso que já teve, justamente por ser velha.

Até que a tal “substância” aparece como solução para os problemas de Sparkle. É uma droga clandestina, que promete duplicar suas células e criar uma versão jovem de si mesma, a estonteantemente bela Sue (Margaret Qualley), que é a própria Sparkle. Só que elas não podem conviver, precisam se alternar — a cada sete dias, enquanto uma dorme, a outra vive. O equilíbrio entre as duas precisa ser mantido; caso contrário, uma consome a energia da outra. Como o narcisismo fala mais alto, o equilíbrio entre Sparkle e Sue é quebrado, e as consequências não são nada belas.

A Substância é um filme cuja estética traz a beleza do corpo, mas os questionamentos que provoca incomodam e deixam o espectador em um estado de constante desconforto. É um daqueles filmes que conversam com outras histórias, como os romances O retrato de Dorian Gray e O médico e o monstro e com filmes de Tarantino. Há muita intertextualidade na beleza e na falta de juventude de A Substância. Sugiro que você assista a este intrigante filme em jejum. Segure-se no sofá, pois cinema também é movimento.

A Substância (The Substance) – Estados Unidos/França/Reino Unido/Irlanda do Norte, 2024
Direção: Coralie Fargeat
Elenco: Demi Moore, Margaret Qualley, Dennis Quaid


Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto: Divulgação — Cena de A Substância

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