Texto | ANDERSON BORGES COSTA

Não resta dúvida de que você é capaz de dizer algo sobre música americana, sobre algum filme americano, algum ator americano, uma cidade americana ou até o nome de um presidente americano. Mas você seria capaz de dizer algo sobre música nigeriana, sobre algum filme nigeriano, uma cidade nigeriana ou até o nome de um presidente nigeriano? O que parecem mundos muito diferentes podem ser mais parecidos do que imaginamos. O intenso romance Tremor, escrito pelo premiado autor Teju Cole, nos mostra que culturas diferentes escondem muitas semelhanças.

Teju Cole nasceu nos Estados Unidos e cresceu em Lagos, na Nigéria. É americano, mas pode ser definido como nigeriano também. Negro, traz na pele o passado duro e sofrido que a escravidão carimbou em milhões de africanos que foram levados para trabalhos forçados na América.

Em Tremor, Cole nos apresenta ao protagonista Tunde, um professor de história da fotografia que, embora viva nos Estados Unidos, é originário da Nigéria. Tunde é uma espécie de Cole espelhado. E a fotografia é uma forma de revelação do que somos. A história dos Estados Unidos converge para a história da Nigéria. A história de Tunde fotografa a história no dia a dia de Tunde. Ele é casado com Sadako, com quem tem uma relação irregular, permeada de silêncios e de angústia.

A narrativa em Tremor treme entre passado e presente, treme na relação entre Tunde e Sadako, treme entre os Estados Unidos e a Nigéria, treme entre silêncios e falas, treme entre a violência e o racismo fotografados na História.

A temática é densa, e Teju Cole é ágil ao misturar trechos quase ensaísticos, recheando a história de Tunde com os conflitos no casamento e os conflitos históricos na Nigéria e na América. Esta história é uma fotografia que treme.

Boas leituras!

Tremor, de Teju Cole
Editora: Companhia das Letras


Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Teju Cole, One World One SFU 2015, SFU Library (CC BY-NC-ND 2.0) via Flickr

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