Texto | ANDERSON BORGES COSTA
Você já percebeu que a sociedade nos impõe regras e cria expectativas em relação ao rumo que damos a nossa vida? E nos diz o que é certo e o que é errado sobre as escolhas que fazemos? Mas, e se o que decidimos fazer não estiver conforme o que a sociedade espera de nós? É sobre estar ou não encaixado nos anseios da família, dos empregadores e dos amores que trata o romance Querida Konbini, da jovem autora japonesa Sayaka Murata.
Em primeiro lugar, é importante saber que Konbini é uma loja de conveniência no Japão. O nome vem da forma como o japonês pronuncia “Convenience Store”, algo como “konbiniensu sutoa”. Como é um termo muito longo, utiliza-se lá apenas o início dele, daí o nome Konbini. As Konbinis no Japão ficam abertas 24 horas por dia. Nelas, os funcionários são jovens, geralmente estudantes universitários, que passam cerca de um ano atendendo os clientes, que podem realizar uma série de serviços, sete dias por semana. Em uma Konbini, é possível pagar contas, jogar na loteria, comprar um lanche, tomar um café ou uma cerveja, ou comprar itens de minimercado, como lapiseira, ovo cozido (em unidades, que podem ser embrulhadas sozinhas). Em uma Konbini também é possível revelar fotos, imprimir documentos e enviar encomendas para o correio.
O livro Querida Konbini conta a história de Keiko Furukura, uma mulher de 36 anos que trabalha em uma Konbini desde a sua adolescência. Ao contrário de quase todos os funcionários lá, Keiko não ficou apenas um ano atrás do balcão, ela está na Konbini há cerca de 20 anos. Isso causa um estranhamento nas pessoas, nos amigos, na família. Somado a isso, Keiko é uma mulher que nunca teve um relacionamento amoroso. Não por falta de oportunidade, mas porque não tem interesse. Em uma sociedade conservadora como a japonesa, Keiko é vista como alguém fora da caixinha. E aí, você acha que ela deveria seguir os seus desejos ou se deixar levar pelos anseios impostos pela sociedade? Querida Konbini provoca este questionamento. Boas leituras!■
Querida Konbini, de Sayaka Murata
Tradução de Rita Kohl
Editora Estação Liberdade

Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Fotos (divulgação) | Nippon.com de Sayaka Murata e O Globo (capa do livro)