Por Ronaldo Campos
No Natal baixamos os flaps, fazemos os últimos checks e nos aproximamos da pista, em uma descendente, até aterrissar. Mesmo aqueles que não celebram o nascimento de Jesus, aproveitam esse momento para tirar alguns dias de folga e recarregar as energias. A sensação de “missão cumprida” é acompanhada pelas tradicionais ceias em família.
Na época das vacas gordas não havia amigo-oculto no Natal: todos recebiam presentes e todos davam presentes. Não era preciso combinar com “os parentes anuais” — parentada que só aparece no Natal — quem levaria o peru, o chester, o tênder, o aperitivo, a bebida e a sobremesa. Antes da ceia, dava para se empanturrar de castanhas, de amêndoas e de nozes. O peru era acompanhado de duas farofas: a gorda com os miúdos e a seca, dourada, com bastante manteiga. A mesa era extremamente farta e a primeira fatia do peru, com a pele bem torrada, ia para os donos da casa. O negócio mesmo era devorar tudo e depois levar alguns “embrulinhos” para aqueles que não “puderam ir”.
Não demorava muito para se ouvir de algum parente “eu gosto tanto de você”, “precisamos nos encontrar mais”, “puxa! o ano voou e não nos vimos”… Provavelmente ele não sabe qual é o dia do seu aniversário, o que você fez durante o ano e qual é o seu sobrenome, sem ser do lado da família dele, é claro! Mas isso não importa!
O importante na época natalina é abastecer sua aeronave com o melhor combustível possível, traçar o novo plano de voo, evitar as turbulências e entender aquelas que te pegaram no meio do caminho no ano passado e verificar a lista de passageiros (esse é o ckecklist mais importante!). Feitos todos os checks (combustível, rota, escalas, condição meteorológica e passageiros), é só começar a taxiar e ir para a cabeceira da pista. Em breve a torre chamará pelo seu voo e você estará pronto para decolar para mais um ano que em breve se iniciará.
Que curta cada segundo do seu Natal de 2023.
Feliz Natal!