Por Marcella Erédia e Natasha Lima
A diversidade é um tema que nunca esteve próximo das grandes premiações hollywoodianas. Felizmente, a crescente conscientização e pressão popular estão mudando esse cenário e, a cada ano, temos a oportunidade de avançar como sociedade e conhecer novos talentos.
Em 2020, o Oscar impulsionou o debate sobre a falta de protagonismo negro e feminino no cinema. Em 2021, na sua 93a edição, as discussões continuaram e deram destaque à presença de pessoas com deficiência, que ainda têm pouco reconhecimento e visibilidade no mercado.
Pela primeira vez na história, três trabalhos que falam sobre inclusão e/ou são estrelados por pessoas com deficiência foram indicados ao Oscar: O Som do Silêncio, Crip Camp e Feeling Through. Nesta edição do Cine Sofá, exploramos os dois longas-metragens que compõem essa lista.
Aproveite a oportunidade para conversar sobre o assunto, conhecer sobre o tema e os desafios que ainda precisam ser superados. A inclusão é um dever de todos, uma questão ética e inerente à vida em coletividade. Faça a sua parte!
O Som do Silêncio (2019)
Direção: Darius Marder
Elenco: Riz Ahmed (Ruben Stone), Olivia Cooke (Lou), Paul Raci (Joe), Lauren Ridloff (Diane), Mathieu Amalric (Richard) e outros
Disponível na Amazon Prime
O filme conta a história de Ruben, um jovem baterista que busca uma carreira de sucesso ao lado de sua namorada, Lou, com quem forma uma banda de heavy metal. De forma completamente inesperada, Ruben começa a perder a audição e tem de enfrentar a realidade que se impõe no seu caminho.
Os desafios são muitos, principalmente por sua profissão depender da capacidade de ouvir notas musicais. Além disso, Ruben é ex-usuário de drogas e sente sua sobriedade ameaçada por seu estado emocional fragilizado. Por não conseguir lidar com tantos problemas, Lou busca ajuda em um refúgio para pessoas surdas.
O filme é envolvente, pois consegue retratar de modo intimista a transição vivenciada pelo músico. Um de seus grandes destaques é, sem dúvida, a experiência sonora. Por vezes, o telespectador é colocado nos ouvidos de Ruben e, por isso, consegue se aproximar de suas aflições e quebras de expectativa.
O trabalho tem sido elogiado não só pela forma inovadora como a história foi construída, mas também por dar luz a um tema que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Ou seja, é capaz de causar empatia no público ouvinte e ajudar aqueles que estejam passando pelas mesmas incertezas que o protagonista.
O Som do Silêncio marca a estreia do diretor Darius Marder na produção de longas-metragens e recebeu oito indicações ao Oscar 2021, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. O filme saiu com duas estatuetas, Melhor Som e Melhor Edição, o que marca uma bem-sucedida passagem pelo tapete vermelho.
Crip Camp: Revolução pela Inclusão (2020)
Direção: James LeBrecht e Nicole Newnham
Elenco: Judith Heumann, James LeBrecht, Denise Sherer Jacobson e outros
Disponível na Netflix
O documentário conta a história do Jened Camp, um acampamento de verão para pessoas com deficiência que deu início a um importante movimento pela inclusão. Fundado em 1951, o destino de férias tornou-se um ambiente livre, onde todos podiam se relacionar e se divertir sem se preocupar com os estigmas da sociedade.
Influenciado pela cultura hippie, Jened encontrou seu apogeu nos anos 1970, quando um grupo de jovens cabeludos aproveitou o espaço para discutir problemas em comum. A partir da convivência, o grupo aprendeu a se organizar e a respeitar as diferenças. Uma experiência que mudaria suas vidas para sempre.
Muitos campistas do Jened foram marcados por suas descobertas e, por isso, lutaram pela própria independência. Judith Heumann, um dos destaques do documentário, foi para a faculdade e se tornou militante pelos direitos civis. Isso permitiu que seus amigos se juntassem a um movimento nacional pela inclusão.
O filme mostra os eventos que viabilizaram a aprovação da Seção 504, que garantiu o acesso de PcD às escolas, universidades e outros espaços públicos. Quatro anos depois, o mesmo grupo contribuiu para a aprovação do Americans With Disabilities Act, a lei de inclusão que inspirou outros países a promover a acessibilidade.
Crip Camp foi produzido por Barack e Michelle Obama e, apesar de não ter levado o Oscar de Melhor Documentário, destacou-se pela força de sua mensagem: o direito de existir. É um trabalho que ressalta a força da união e, sobretudo, a importância de se garantir que todas as vozes sejam ouvidas.